Juntos Pelo Povo estreia com cinco deputados

jpp000

Helena Mota

A confirmação dos cinco lugares despoletou uma onda verde de euforia na sala improvisada de um hotel da cidade do Funchal. Os apoiantes do novo partido faziam a festa ruidosamente, cantando e agitando bandeiras, e revelando a alegria por uma proeza que ninguém esperava na estreia a umas eleições legislativas regionais. Na hora da aclamação, Élvio Sousa mostrava um ar cansado, mas bastante feliz. As primeiras palavras foram de agradecimentos para os mais de 13 mil eleitores que possibilitaram a eleição dos cinco deputados do partido Juntos Pelo Povo (JPP). No entanto, os quatro anos de trabalho que se avizinham é de serviço a todos os cidadãos da Madeira e Porto Santo. “Não vamos defraudar. Amanhã começamos já a trabalhar com afinco, competência e qualidade”, prometeu, recordando as dificuldades que, em cerca de 11 dias, o movimento nascido em Gaula, teve de enfrentar junto do Tribunal Constitucional para formar a lista a estas eleições regionais.

Aos jornalistas, Élvio Sousa garantiu que o JPP manterá a matriz de uma ação política onde “não se discutem pessoas mas projetos para o futuro”.

“Hoje somos uma grande força na Região e tudo faremos para merecer esta confiança”, realçou. “Seremos uma oposição forte e credível, um rosto diferente de estar na política. Queremos mostrar ao povo que estaremos do seu lado.”

jpp002

Gabinete do Cidadão Móvel

Assim sendo, já a partir da próxima semana, o novo grupo parlamentar começará a preparar a sua intervenção política, dando corpo às promessas feitas durante a campanha. A criação do Gabinete do Cidadão Móvel é, para já, a medida concreta e visível do JPP. Consistirá numa carrinha que irá percorrer os diversos pontos da Madeira e Porto Santo, a fim de auscultar as populações, uma iniciativa que deverá ir para a estrada dentro de dois meses. “O verdadeiro trabalho parlamentar faz-se no terreno, junto das pessoas, e não apenas nos gabinetes”, explicou Élvio Sousa.

A grande preocupação do recém-criado partido centra-se na criação de emprego para os mais jovens. Segundo Élvio Sousa, o emprego será a grande batalha do JPP. “Já na próxima semana, começaremos a trabalhar na proposta de apoio às pequenas e micro empresas, através do fundo de emergência social”.

Outra das medidas a arrancar nas próximas duas semanas será a proposta de alteração do Regimento Político Administrativo, no sentido de acabar com os privilégios e regalias da classe política. “Vamos já, a partir de amanhã, a começar a preparar o documento.”

jpp000

Passar o Governo a pente fino

Ao Funchal Notícias, Élvio Sousa revelou ter já contactado Miguel Albuquerque para felicitá-lo pela vitória. Da parte do seu grupo parlamentar, a maioria só poderá esperar uma coisa: “Vamos ser rigorosos com a ação governativa”, prometeu o líder JPP. “Vamos passar o governo a pente fino. Somos uma oposição determinada”.

Afirmando querer, no próximos quatro anos, ganhar a confiança do eleitorado, Élvio Sousa frisou que o seu partido quer ser parte da solução dos problemas e contribuir para a valorização da classe política. “Não está perdida, precisa é de ser credibilizada.”

Garantiu ainda que a experiência adquirida nos últimos anos, fruto do trabalho autárquico, será uma mais-valia no parlamento.

Para além de Élvio Sousa, o Juntos Pelo Povo terá na Assembleia Legislativa Regional os seguintes deputados: Paulo Alves, Rafael Nunes, Patrícia Spínola e Carlos Costa. Os três primeiros são de Gaula, sendo a deputada do Funchal e Carlos Costa de Machico.

Recorde-se que, nas últimas autárquicas, o JPP obteve cerca de 15 mil votos, um resultado que a transpor para estas legislativas garantiriam seis lugares no Parlamento regional.

jpp003

Filipe ciente dos riscos para autárquicas

Filipe Sousa, o mandatário da lista JPP, era, ao final da tarde de ontem, um homem tranquilo mas expectante. As suas previsões apontavam para a eleição de dois deputados, dando corpo à grande ambição do partido, a manutenção de um grupo parlamentar.

Com um mês e meio de existência, o JPP estava esperançado num resultado positivo, já que em avaliação estaria também os últimos mandatos de Alberto João Jardim, cuja governação ficou marcada por um plano de resgate, devido à dívida pública contraída.

A passagem de movimento a partido não foi questão consensual. Filipe Sousa, o mandatário e atual presidente da autarquia de Santa Cruz, confessou ao Funchal Notícias a sua relutância inicial à passagem de movimento a partido, uma nova etapa que acarreta responsabilidades e desafios. “Um mau trabalho no Parlamento poderia estragar todo o investimento e capital conseguido e pôr em risco as autárquicas daqui a três anos”, explicou para afirmar que com esta equipa tal risco não se coloca. “São pessoas em quem confio plenamente e tenho a certeza que farão um trabalho bastante válido.”

Quanto ao trabalho no futuro, Filipe Sousa foi assertivo ao afirmar que o seu partido não entrará em coligação com o PSD. “Não faz sentido coligar-se com quem provocou a desgraça ao povo.”

jpp004

O mandatário e autarca criticou ainda os restantes partidos da oposição pela oportunidade perdida na hora de saída de Alberto João Jardim. “Ficaram esmorecidos e esqueceram o povo. Depois, quando foram surpreendidos com a data de eleições, não tiveram tempo para preparar-se”, adiantou, criticando as forças políticas mais pequenas, cuja “imagem de chacota” não beneficiou o ato eleitoral. “O povo é inteligente e sabe valorizar quem trabalha.”

O Juntos Pelo Povo começou em 2009 como movimento e em 2013 ganhou a Câmara de Santa Cruz e as juntas de freguesia do concelho.