A primeira grande expedição científica do Programa mobilizou mais de 200 participantes, incluindo 116 cientistas, 40 parceiros e 15 embarcações, com operações a decorrer no mar e em terra em três ilhas. Os resultados preliminares demonstram os valores naturais únicos do mar da Madeira, bem como a sua vulnerabilidade, reforçando a importância da ciência para a protecção marinha, afiança um comunicado da Secretaria Regional do Turismo, Ambiente e Cultura.
O Programa Madeira Ocean concluiu a sua primeira grande iniciativa. A maior expedição científica alguma vez realizada na Região terminou ontem, dia 28 de Outubro, após cinco semanas de investigação científica na Madeira, no Porto Santo, nas Ilhas Desertas e no monte submarino Seine. A iniciativa reuniu mais de 200 participantes, incluindo 116 cientistas nacionais e internacionais, 25 instituições científicas e 40 parceiros, e mobilizou 15 embarcações para aprofundar o conhecimento sobre os ecossistemas marinhos da Madeira.
Os resultados científicos preliminares foram apresentados hoje, quarta-feira, no Funchal, num evento que reuniu o Governo Regional da Madeira, através do secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, contando também com a participação do secretário regional de Agricultura e Pescas, Nuno Maciel, e da secretária regional de Educação, Ciência e Tecnologia, Elsa Fernandes, e representantes das instituições promotoras, parceiros institucionais e equipas científicas. O evento contou com as intervenções dos parceiros do Programa Madeira Ocean, nomeadamente o Governo Regional da Madeira, ARDITI, Fundação Oceano Azul e National Geographic Pristine Seas.
Paulo Oliveira, coordenador do Programa Madeira Ocean, diz que “este momento representa um marco para a conservação da natureza na Madeira. O conhecimento que esta Expedição nos está a trazer, seguramente será o garante de uma proteção do nosso meio marinho, alicerçada numa gestão mais informada, logo mais eficaz e consequente”.
A Madeira tem uma história de mais de cinco décadas de liderança nacional na conservação marinha, iniciada em 1971, com a criação da Reserva Natural das Ilhas Selvagens. Desde então, a Região tem desenvolvido um percurso de criação e consolidação de áreas destinadas à proteção dos seus ecossistemas marinhos.
A expedição Madeira Ocean contribuiu não só para avaliar o estado de saúde das Áreas Marinhas Protegidas (AMP) existentes, mas também para apoiar a sua monitorização e para explorar novas áreas pouco estudadas. Com recolha de dados científicos em diferentes habitats e profundidades, dentro e fora das AMP, esta abordagem permite estudar a biodiversidade, a distribuição das espécies e as características dos habitats, criando condições para conhecer o estado destas áreas, compreender melhor os resultados das medidas de proteção implementadas e identificar prioridades de conservação para o futuro.
Por seu turno, João Canning-Clode, coordenador científico da Expedição, reiterou que “os primeiros resultados indicam que a proteção funciona: encontrámos agregações de meros juvenis dentro e fora das Áreas Marinhas Protegidas, um sinal encorajador das medidas implementadas, e confirmámos a presença de Ecossistemas Marinhos Vulneráveis em águas mais profundas. Mas o que mais me marcou foram as pessoas: senti, de forma muito clara, que todos os participantes acreditam neste projecto”.
A expedição demonstrou que as Áreas Marinhas Protegidas devidamente regulamentadas e implementadas funcionam, permitindo a recuperação da natureza e a sua valorização.
Dos resultados das actividades de mergulho científico, destaca-se a observação de peixes maiores dentro das AMP, por exemplo meros, espécies protegida e emblemática da região, e agregações de meros e badejos juvenis. Estes resultados mostram que a proteção destas áreas contribuiu positivamente para o seu crescimento e reprodução.
Outro destaque é a descoberta de ecossistemas mesofóticos, ambientes entre os 30 e 150 m. Ao largo do Porto Santo, o Jardim de Ariel e a Rocha de Sebastião destacam-se pela presença de jardins densos de corais, incluindo espécies vulneráveis e com interesse para a conservação, bem como elevada densidade de peixes. Outro destaque são as florestas de algas castanhas a profundidades de cerca de 80-100 m, ambientes muito importantes para as espécies costeiras. Também as zonas de fundo arenoso foram surpreendentes, com a presença de mais de cinco espécies de raias, classificadas como vulneráveis, ameaçadas ou em perigo de extinção. Além disso, a expedição permitiu a investigação do mar profundo, até aos 1.000 m, em zonas do norte da Madeira até agora inexploradas, onde se observou a presença de espécies indicadoras de Ecossistemas Marinhos Vulneráveis (VME), contribuindo para a recolha de dados que permitirão identificar novas áreas de interesse para a conservação.
A expedição também integrou trabalhos de investigação em ecossistemas pelágicos (na coluna de água) e mar aberto. Entre estes, destaca-se a colocação, pela primeira vez no Atlântico Nordeste, de um dispositivo de seguimento por satélite numa baleia de bico de Blainville por investigadores do MARE-Madeira/ARDITI, que permitirá acompanhar a sua rota e contribuir para um conhecimento mais aprofundado das zonas preferenciais para esta espécie.
Os resultados agora recolhidos irão ser publicados num relatório científico da Expedição no início de 2027, seguindo-se uma nova expedição, em outras áreas marinhas protegidas, no próximo ano, bem como a integração de todo o conhecimento disponível para informar processos de avaliação e gestão das AMP.
Iniciado em Maio de 2026, o Programa Madeira Ocean é uma iniciativa liderada pelo Governo Regional da Madeira, em parceria com a Fundação Oceano Azul, a ARDITI e a National Geographic Pristine Seas. O programa visa avaliar, reforçar e expandir a rede regional de Áreas Marinhas Protegidas, integrando ciência, participação dos diferentes intervenientes e valorização da economia azul.
Esta campanha científica, a primeira grande iniciativa do Madeira Ocean, contribuirá ainda para estabelecer bases para um programa integrado de conservação e valorização do mar da Madeira, apoiando o objetivo da Região de alcançar 30% de proteção efetiva do seu mar até 2030.
A Expedição foi promovida pelo Programa Madeira Ocean e coordenada pelo Governo Regional da Madeira, através do IFCN — Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, em parceria com a ARDITI — Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação, a Fundação Oceano Azul, o Oceanário de Lisboa e a National Geographic Pristine Seas, contando com a colaboração de diversas entidades institucionais e parceiros científicos.
A Expedição em números:
40 parceiros
6 entidades promotoras | 9 parceiros institucionais | 25 parceiros científicos
25 parceiros científicos
5 internacionais | 20 portugueses, dos quais 7 da Região
+200 participantes
Cientistas, equipas de apoio às operações, tripulações, equipa médica, e equipas de media e jornalistas
15 embarcações
Operações em terra e no mar, três ilhas e um monte submarino
Sobre o Programa Madeira Ocean
O programa Madeira Ocean foi formalizado em maio de 2026, através de um Memorando de Entendimento entre o Governo Regional da Madeira, a Fundação Oceano Azul, a ARDITI e a National Geographic Society, através do programa Pristine Seas. Esta parceria estabeleceu um programa de ação com duração de quatro anos que combina ciência, apoio técnico e legal, capacitação e envolvimento público, com o objetivo de apoiar a Madeira na avaliação, gestão e fortalecimento da sua rede de Áreas Marinhas Protegidas e de reforçar a liderança da Região na conservação marinha a nível nacional e internacional.
Sobre a ARDITI
A ARDITI – Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação, tutelada pela Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, promove e desenvolve investigação científica e tecnológica na Madeira. Na área do oceano, reúne competências em oceanografia, ecologia e biologia marinha, robótica e observação oceânica, através de unidades como o MARE-Madeira e o Observatório Oceânico da Madeira. No Madeira Ocean, participa na liderança e coordenação científica e disponibiliza conhecimento, equipas e capacidade tecnológica para o estudo e monitorização do mar da Região.
Sobre a Fundação Oceano Azul
A Fundação Oceano Azul é uma fundação internacional criada em 2016. Sob o mote From the ocean’s point of view, a missão é servir o oceano com determinação e propósito, promovendo ações concretas e compromissos decisivos que protejam a vida no planeta. Fazemo-lo ao promover a conservação baseada na ciência, ao assegurar mudanças políticas determinantes e ao transformar os paradigmas de tomada de decisão, com vista a alcançar um oceano saudável, resiliente e sustentável.
Sobre o Oceanário de Lisboa
Reconhecido três vezes como “o melhor aquário do mundo” pelo Tripadvisor’s Travellers’ Choice, o Oceanário de Lisboa é um aquário público de referência mundial, um lugar que traz o oceano para a cidade através das quase 500 espécies marinhas que o habitam. A missão do Oceanário é encorajar os visitantes a aprender mais sobre o oceano, tornando-os conscientes da sua própria responsabilidade na conservação do nosso património natural através da mudança do seu comportamento em direção a uma sociedade mais sustentável. O Oceanário desenvolve atividades educativas, colabora em projetos de investigação científica e de conservação da biodiversidade marinha que promovem o desenvolvimento sustentável do oceano.
Sobre a National Geographic Pristine Seas
National Geographic Pristine Seas é um projecto de exploração, investigação e media, fundado e liderado pelo Explorer in Residence da National Geographic, Enric Sala. A equipa do Pristine Seas é composta por cientistas, especialistas em política, e cineastas, que trabalham para inspirar a criação e gestão de áreas marinhas protegidas, onde a vida marinha tenha a possibilidade de prosperar. O projecto Pristine Seas já ajudou a inspirar a criação de 31 das maiores reservas marinhas da Terra, que abrangem cerca de 7 milhões de quilómetros quadrados de oceano.
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