O Museu Etnográfico da Madeira inaugura, no próximo dia 29 de outubro, pelas 16h00, a exposição temporária “Rituais de Passagem: A MORTE”, uma iniciativa que convida à reflexão sobre as práticas, as crenças e os costumes associados à morte, destacando a importância da preservação e valorização do património cultural imaterial da Região.
Resultante de uma investigação dedicada aos rituais fúnebres da comunidade madeirense, a exposição procura dar a conhecer a forma como estas práticas evoluíram ao longo do tempo, acompanhando as transformações sociais, culturais e religiosas que marcaram a vida das populações.
Os rituais de passagem constituem momentos fundamentais da experiência humana, assinalando etapas como o nascimento, o casamento e a morte. No caso dos ritos fúnebres, para além da homenagem a quem partiu, estas práticas assumem um papel importante na vivência do luto, proporcionando às famílias e às comunidades formas de expressar a perda, encontrar conforto e preservar os laços de pertença.
Ao longo dos anos, muitos destes costumes foram sendo transformados ou desapareceram, em resultado da evolução das mentalidades e das mudanças na organização social, nomeadamente da passagem de práticas tradicionalmente asseguradas pelas famílias e pela comunidade para modelos de organização dos funerais cada vez mais profissionalizados.
A exposição propõe, assim, um olhar sobre a memória coletiva e sobre as tradições que integram a identidade cultural madeirense, permitindo compreender não apenas os gestos e as cerimónias associados à morte, mas também os valores de solidariedade, entreajuda e espiritualidade que lhes estavam subjacentes.
Para o secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, esta iniciativa representa uma oportunidade para aprofundar o conhecimento sobre uma dimensão significativa da identidade cultural madeirense.
“Preservar o património cultural imaterial é também preservar a memória das nossas comunidades, os seus valores e as formas como, ao longo das gerações, encontraram respostas para os momentos mais marcantes da vida. Os rituais associados à morte fazem parte dessa herança coletiva e dão-nos a conhecer muito sobre a nossa história, as nossas crenças e os laços de solidariedade que tradicionalmente uniram as famílias e as comunidades madeirenses”, afirma.
O governante acrescenta que “ao trazer estes testemunhos para o espaço museológico, estamos a criar condições para que as novas gerações conheçam e compreendam práticas que, em muitos casos, se transformaram profundamente ou deixaram de fazer parte do quotidiano. É também essa a missão dos nossos museus: investigar, preservar e transmitir um património que nos ajuda a compreender quem somos e de onde vimos”.
A exposição resulta de uma parceria que reúne três contributos de investigação complementares. Gabriel Rodriguez apresenta uma recolha de campo realizada junto da população dos Canhas, desde 1974 até à atualidade, permitindo acompanhar a evolução dos rituais fúnebres ao longo de várias décadas. José Zyberchema contribui com fotografias captadas em diversos cemitérios da Região, enquanto Maria José da Encarnação, enfermeira reformada, oferece uma perspetiva humana sobre a experiência dos profissionais de saúde no acompanhamento dos moribundos e na relação com a morte.
Através destes diferentes olhares, “Rituais de Passagem: A MORTE” reúne testemunhos, imagens e conhecimento que documentam práticas tradicionais e as transformações da sociedade madeirense, reforçando o papel da investigação e da divulgação cultural na salvaguarda do património imaterial.
A exposição estará patente ao público no Museu Etnográfico da Madeira até ao dia 5 de dezembro de 2026.
Ficha técnica
Exposição: Rituais de Passagem: A MORTE
Inauguração: 29 de outubro de 2026, às 16h00
Local: Museu Etnográfico da Madeira
Patente até: 5 de dezembro de 2026
Textos: César Ferreira
Tradução: Cátia Santos
Fotografia: Arquivo Regional da Madeira e coleção particular
Design gráfico: Mário Ribeiro
Projeto museográfico: Márcio Ribeiro e Lídia Góes Ferreira
Montagem da exposição: Fernando Libano, Florêncio Pereira e João Carlos Terra-Boa
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