Bidões ligados ao narcotráfico acumulam-se no lixo marinho das Desertas e Selvagens

AF!

Os bidões de combustível avistados nas Ilhas Desertas e nas Selvagens têm vindo a aumentar nos últimos dois a três anos, alertam investigadores da expedição científica Madeira Ocean 2026. Os recipientes, associados ao abastecimento de lanchas rápidas usadas no narcotráfico, estão a tornar-se uma presença recorrente no lixo marinho da região.

Segundo o responsável pelo balanço da primeira etapa dos trabalhos, o aparecimento destes bidões não permite concluir que tenham sido utilizados em águas próximas das ilhas. Ainda assim, a ligação às embarcações de alta velocidade do tráfico de droga começou a ser estabelecida pouco depois dos primeiros avistamentos na região.

“Não só nas Desertas como noutros pontos de acumulação, incluindo nas Selvagens”, explicou o responsável, sublinhando que as quantidades encontradas têm vindo a crescer. Os bidões podem ter sido abandonados em alto-mar, após o reabastecimento de narcolanchas, e arrastados pelas correntes até às áreas costeiras e insulares do arquipélago da Madeira.

A presença destes recipientes levanta dois problemas distintos. Por um lado, constitui poluição marinha e um risco para a navegação e para a fauna das áreas protegidas. Por outro, funciona como um indicador da atividade de redes criminosas no corredor atlântico que liga a América do Norte e do Sul à Europa, passando pelos Açores, Madeira, Canárias e costa ibérica.

A expedição Madeira Ocean 2026, que decorre entre 2 e 28 de outubro, leva investigadores nacionais e internacionais à Madeira, ao Porto Santo e às Ilhas Desertas para estudar os ecossistemas marinhos da região. Além do monitorização da biodiversidade, os trabalhos têm permitido documentar a pressão humana sobre o mar, incluindo resíduos que chegam a zonas remotas e fortemente protegidas.

As Ilhas Desertas e as Selvagens são áreas de elevado valor ecológico, com colónias importantes de aves marinhas e espécies ameaçadas. A acumulação de lixo marinho nestes territórios reforça a necessidade de vigilância, recolha de resíduos e cooperação entre as autoridades marítimas, as entidades de conservação e os investigadores.

Para os especialistas, cada bidão recuperado é mais do que um resíduo: é um rasto de uma atividade ilícita que, mesmo quando ocorre longe da costa, deixa marcas visíveis nos ecossistemas mais isolados do Atlântico.


Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.