A petição “Pela salvaguarda do modelo urbano da Madeira”, subscrita por 1740 madeirenses e entregue na Assembleia Legislativa no passado dia 30 de Julho, vai ser apreciada em Plenário. O ofício da Presidência da Assembleia, datado de 12 de Outubro, confirma que se encontra em fase de agendamento. A preocupação que juntou estes cidadãos terá assim lugar num dos espaços onde deve ser discutida: perante os representantes eleitos dos madeirenses, com a responsabilidade pública que o assunto exige, informa Nuno Morna.
A decisão de remeter a petição para discussão em Plenário foi tomada por unanimidade pela Comissão Especializada Permanente de Ambiente, Clima e Recursos Naturais, na reunião de 1 de Outubro. Os grupos parlamentares e o deputado não inscrito reservaram as suas posições sobre a matéria para esse momento. O alcance deste resultado é claro: as preocupações e propostas dos subscritores chegam à discussão parlamentar. A posição de cada força política será conhecida no debate que agora se prepara. E é isso que é relevante.
Este avanço merece ser recebido com satisfação e com a consciência do trabalho que continua por fazer. A força desta iniciativa está nas pessoas que assinaram, ajudaram a divulgá-la e participaram na discussão. A participação cívica exige tempo, disponibilidade e alguma teimosia.
Ao longo desta discussão, permanece uma pergunta essencial: que Madeira ficará para os filhos e os netos de quem hoje aqui vive? Vale a pena fazê-la antes de escolher a altura dos edifícios, antes de alterar os instrumentos de ordenamento e antes de apresentar como inevitável uma transformação que poderá marcar a paisagem durante gerações. A resposta precisa de incluir as pessoas, a habitação, os bairros, a mobilidade, os serviços, a segurança e a relação dos madeirenses com o arquipélago.
O modelo urbano tem tudo a ver com o futuro dos madeirenses como povo. A forma de ocupar o território influencia a vida quotidiana, a possibilidade de permanecer perto da família, o acesso a uma casa, as deslocações e os lugares de encontro. Faz parte da madeirensidade esta relação entre a cidade e a encosta, entre o casario e os poios, entre a rua e o horizonte. Quem vive aqui conhece-a sem precisar de um manual. Qualquer mudança profunda nessa relação merece uma discussão séria sobre as suas
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