Os vereadores do Juntos Pelo Povo (JPP) na Câmara Municipal do Funchal vieram lamentar publicamente a rejeição, por parte da maioria PSD/CDS, da Proposta de Recomendação apresentada pelo partido que exigia a resolução urgente do problema dos maus odores na zona envolvente à Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) do Lazareto, uma situação que afecta gravemente a qualidade de vida, a saúde pública e a habitabilidade da população local, conforme denunciou recentemente o JPP, fazendo eco das preocupações manifestadas pelos moradores.
Fátima Aveiro e António Trindade recordam que a infraestrutura, inaugurada em Junho de 2025, considerada a obra de referência e símbolo de modernidade ambiental, do mandato de Cristina Pedra, no valor global de 17,5 milhões de euros, tinha com objectivo melhorar a gestão ambiental no concelho, mas começou a gerar queixas logo em Outubro desse mesmo ano.
Apesar de a própria Câmara Municipal ter reconhecido a ocorrência dos episódios odoríferos na altura, a que relacionou com fatores pontuais ligados ao início do funcionamento da estação, a verdade é que, decorridos mais de 14 meses desde a inauguração e quase um ano após esse reconhecimento inicial, os relatos de odores intensos continuam a ser diários e sistemáticos por parte de quem vive nas proximidades.
O JPP teve oportunidade de constatar a persistência do problema, numa visita recente aos arredores da ETAR, tendo na oportunidade auscultado os moradores que reiteraram as queixas e a ausência de resposta por parte da autarquia.
Os autarcas do maior partido da oposição sublinham que o chumbo da maioria governativa ignora os testemunhos recolhidos junto das famílias, que revelam um impacto diário devastador: moradores forçados a manter habitações hermeticamente fechadas, impossibilidade de usufruir de varandas ou quintais, bem como prejuízos económicos resultantes de cancelamentos de estadias em propriedades com alojamento local, e inclusive alguns munícipes equacionam a alienação das suas casas devido à persistência do incómodo.
Os vereadores recordam ainda que já em Março de 2026 haviam solicitado esclarecimentos formais sobre a capacidade e o funcionamento dos sistemas da infraestrutura, sem nunca terem obtido respostas conclusivas.
Ao votar contra esta nova iniciativa do JPP para solucionar o problema, a maioria PSD/CDS recusa-se, uma vez mais, a dar respostas transparentes e a assumir compromissos com datas concretas perante os residentes do Lazareto.
A recomendação chumbada pelo executivo de PSD/CDS propunha decisões fundamentais para os funchalenses, tais como:
Assumir a resolução definitiva do problema dos maus cheiros como prioridade urgente de salvaguarda da qualidade de vida e saúde pública;
Promover uma auditoria e diagnóstico técnico urgente aos sistemas de controlo, filtragem e desodorização da ETAR, apurando com rigor a origem do problema;
Apresentar publicamente no prazo de 30 dias as conclusões da auditoria, acompanhadas de um plano de medidas corretivas e de um calendário vinculativo para a erradicação dos odores.
“Ao rejeitar esta proposta, a maioria PSD/CDS demonstra uma preocupante falta de sensibilidade para com as populações atingidas e prefere virar as costas a uma solução técnica estruturada. Para o JPP, é inaceitável que investimentos públicos recentes resultem na desvalorização patrimonial e na degradação das condições de vida dos cidadãos”, afirmam Fátima Aveiro e António Trindade.
Os vereadores do JPP prometem que o partido continuará ao lado dos moradores do Lazareto, utilizando todos os meios ao seu alcance para exigir transparência, fiscalização rigorosa e a resolução definitiva deste problema.
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