PS denuncia “mentira” do Governo Regional quanto à execução a 100% do PRR

A presidente do PS-M acusou, hoje, o Governo Regional de mentir aos madeirenses ao falar numa execução de 100% do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), quando, na verdade, ficou longe de cumprir os objectivos traçados inicialmente.

Numa conferência de imprensa junto a um empreendimento habitacional construído com fundos do PRR, na zona da Levada do Cavalo, cujos apartamentos, apesar de estarem concluídos, ainda não foram entregues às famílias, Célia Pessegueiro referiu que, ao longo destes quatro anos, o Executivo madeirense governou essencialmente com as verbas deste programa.

“Se não fosse o PRR, os investimentos na Região teriam sido quase nulos”, observou, referindo-se às apostas na construção de habitação, na disponibilização de camas em lares e para a área da saúde, bem como no sector da energia.

Porém, de acordo com a líder socialista, se está certo que se faça o aproveitamento desses fundos, “o que não está correto é traçar-se objetivos há quatro anos que acabaram por não ser cumpridos”. Isto, apesar de, quer o presidente do Governo, quer responsáveis pela gestão do PRR, virem agora falar numa execução a 100%. “Isso não corresponde à verdade”, denunciou.

Exemplificando, a presidente do PS-Madeira referiu que foram construídas menos 317 habitações do que as inicialmente anunciadas e que também não foi cumprido o objetivo relativamente às camas em lares de idosos e cuidados continuados. “Qualquer outro discurso que se faça neste momento é deturpar a realidade”, afirmou, desafiando o Governo Regional a assumir que traçou objectivos iniciais que não foram cumpridos e a explicar porque razão tal não aconteceu.

Condenando o discurso “errado e mentiroso” em relação ao sucesso da execução do PRR na Madeira, Célia Pessegueiro criticou também o Governo por, sabendo que tinha quatro anos para executar o programa, ter deixado muitas coisas para fazer “à última da hora”, acabando por não conseguir cumprir tudo.

“É mais sério dizer não conseguimos, do que estar a inventar e a mentir, dizendo às pessoas que foi um sucesso e fizemos tudo aquilo que prometemos”, reparou.

No caso do empreendimento habitacional localizado na Levada do Cavalo, a presidente do PS-M disse tratar-se de mais um exemplo de edifícios que já estão concluídos, mas que continuam por entregar às famílias (tal como acontece também nos Canhas), apenas por decisão governativa.

“Estamos a falar de habitação a custos controlados para a classe média, que neste momento não encontra solução no mercado compatível com os ordenados que tem. Estas habitações não serem entregues imediatamente após a sua conclusão é também um sinal de insensibilidade da parte do Governo, que não está preocupado com quem está lá fora a pagar renda ou vive numa casa que não tem as condições adequadas”, declarou, acusando o Executivo de ter ido “de férias confortavelmente”, arrastando a entrega das casas para “o mês que lhe é mais confortável politicamente”.


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