Lua Cheia de Agosto de 2026: Funchal assiste a eclipse lunar parcial profundo na “Lua do Esturjão”

AF!

Na noite de 27 para 28 de agosto de 2026, o céu da Madeira será palco de um espetáculo astronómico raro: a Lua Cheia de agosto, tradicionalmente conhecida como “Lua do Esturjão”, coincide com um eclipse lunar parcial profundo, em que cerca de 96% do disco lunar será encoberto pela sombra da Terra.

O momento exato da fase cheia está previsto para as 05:18 (hora local, WEST), mas a olho nu a Lua parecerá “cheia” durante três noites consecutivas, entre 27 e 29 de agosto.

Visibilidade privilegiada no Funchal

Para os observadores no Funchal, a Lua nascerá por volta das 20:39 de 28 de agosto, praticamente ao mesmo tempo que o Sol se põe, e só se ocultará às 07:39 da manhã seguinte, acompanhando o nascer solar.

Este alinhamento garante que o satélite natural estará visível quase toda a noite, oferecendo condições excecionais para acompanhar todas as fases do eclipse.

Cronologia do eclipse (hora local, WEST)

O fenómeno astronómico desenrolar-se-á nas seguintes horas:

  • 02:23 – Início da fase parcial, quando a primeira “mordida” da sombra terrestre se torna visível no disco lunar

  • 05:12 – Máximo do eclipse, com 96% da Lua coberta pela umbra(*) da Terra

  • 07:07 – Fim da fase parcial, pouco antes do amanhecer

Melhor janela de observação

Os especialistas recomendam que a observação seja feita entre as 02:30 e as 06:30, com particular destaque para o período entre as 04:00 e as 06:00.

Nesta janela temporal, a Lua atingirá a sua altura máxima no céu do Funchal, aproximadamente 30° acima do horizonte na direção sul/sudoeste, proporcionando uma visão desobstruída e minimizando os efeitos da turbulência atmosférica.

“A sombra escura da Terra estará claramente visível, o céu manterá escuridão suficiente para contraste e a Lua estará suficientemente alta para evitar obstruções”, explicam os astrónomos.

Fenómeno raro até 2029

Este eclipse lunar parcial de 96% é considerado um dos mais profundos da década, não se repetindo um fenómeno desta magnitude até 2029.

A “Lua do Esturjão”, nome tradicional atribuído à Lua Cheia de agosto nas culturas do hemisfério norte, ganhará em 2026 um significado especial para os madeirenses, que poderão testemunhar um dos eventos astronómicos mais impressionantes do ano sem necessidade de equipamento especializado.

Para os interessados em observar o fenómeno, bastará um local com boa visibilidade do horizonte sul e, se possível, afastado de fontes de poluição luminosa.

 

 

(*)-A umbra da Terra é a parte mais escura e interna da sombra que o nosso planeta projeta no espaço quando bloqueia a luz solar.

Como funciona

Quando um corpo opaco (como a Terra) é iluminado por uma fonte de luz extensa (o Sol), formam-se três regiões de sombra:

  • Umbra: região de sombra total, onde nenhuma parte do Sol é visível. Quem está na umbra experimenta escuridão completa em relação à fonte luminosa.

  • Penumbra: região de sombra parcial, onde apenas parte da luz solar é bloqueada. A escuridão é menos intensa e muitas vezes impercetível.

  • Antumbra: região mais distante, onde a umbra se estreita até um ponto (relevante em eclipses anulares).

A umbra da Terra em números

A umbra terrestre tem forma de cone que se estende por aproximadamente 1,4 milhões de quilómetros no espaço, muito além da distância entre a Terra e a Lua (cerca de 384.000 km).

Relevância para eclipses lunares

Durante um eclipse lunar, quando a Lua atravessa a umbra da Terra, ocorre um eclipse total ou parcial, dependendo de quanto do disco lunar entra nesta região de sombra total.

No eclipse de 28 de agosto de 2026, cerca de 96% da Lua entrará na umbra terrestre, criando um eclipse parcial profundo em que a maior parte do satélite ficará mergulhada na escuridão total da sombra da Terra.

Em contraste, quando a Lua passa apenas pela penumbra, o escurecimento é subtil e muitas vezes difícil de detetar a olho nu.


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