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A deputada do PS na Assembleia Legislativa da Madeira, Sílvia Sousa Silva, questionou a eficácia do trabalho desenvolvido pelos sapadores florestais na Região na prevenção de incêndios rurais, comparando os números avançados pelo Governo Regional com a estratégia de pastoreio dirigido seguida em Gran Canaria, nas Canárias.
Segundo informação divulgada pelo Executivo madeirense, os sapadores florestais intervieram, ao longo de 2026, em cerca de 45 hectares. Os trabalhos incluem limpeza de bermas de estradas, desramação, remoção de vegetação seca e controlo de espécies invasoras, variando em função das áreas intervencionadas.
A socialista sublinha que este resultado foi alcançado em aproximadamente oito meses e considera-o reduzido face à dimensão do território com ocupação florestal, matos e vegetação herbácea na Madeira. Dados do Inventário Florestal Regional apontam para uma área conjunta de 63 817 hectares nestas classes de ocupação do solo.
O secretário regional com a tutela das florestas, Eduardo Jesus, afirmou que os 15elementos afetos ao dispositivo — 10 sapadores e cinco estagiários recentemente integrados — desempenham uma função dupla: prevenir incêndios rurais e contribuir para a conservação do território.
A deputada contrapõe o modelo seguido em Gran Canaria, onde o programa “Gran Canaria Mosaico” aposta no uso de rebanhos de cabras e ovelhas para reduzir a vegetação combustível em áreas identificadas como prioritárias. Segundo os dados citados, o programa interveio em 2 481hectares num ano e deverá aumentar a área abrangida em 9,3% em 2026, através da contratação de 40 famílias de criadores de gado.
Neste modelo, os produtores são remunerados pela área pastoreada e pela relevância estratégica das zonas intervencionadas no quadro da prevenção de incêndios. Além da redução da biomassa vegetal, o pastoreio dirigido é apresentado como um instrumento de apoio à atividade pecuária, à permanência das populações rurais e à valorização de produtos tradicionais.
A deputada sustenta que uma solução deste tipo deveria ser aplicada na Madeira, recuperando uma proposta anteriormente apresentada pelo partido para criar um programa de pastoreio dirigido na Região. A crítica incide sobre a dependência da limpeza mecânica, considerada pela deputada mais dispendiosa e menos eficiente quando aplicada isoladamente.
A comparação entre Madeira e Gran Canaria, porém, exige cautela. A área contabilizada pelos sapadores madeirenses pode abranger trabalhos específicos — como desramação, controlo de invasoras ou limpeza de faixas junto a vias — que não têm correspondência direta no pastoreio. Por outro lado, a eficácia de rebanhos na gestão de combustível depende de planeamento técnico, da espécie animal, da pressão de pastoreio, da acessibilidade dos terrenos, da disponibilidade de água e da proteção de zonas ecologicamente sensíveis.
Ainda assim, a intervenção da deputada volta a colocar no debate político regional a necessidade de diversificar os mecanismos de prevenção de incêndios. A questão não se limita à área limpa ou pastoreada: envolve a escolha das zonas prioritárias, a continuidade territorial das faixas de gestão de combustível, os recursos humanos disponíveis e a capacidade de transformar a prevenção num fator de valorização económica das comunidades rurais.
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