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A proposta parece saída de uma conversa de fila: se é o cliente que passa os produtos, embala as compras e faz o pagamento, porque não recebe parte da poupança da loja? Em Nova Iorque, essa ideia ganhou forma legislativa.
Um projeto de lei apresentado em maio de 2026 propõe que supermercados e outros estabelecimentos alimentares sejam obrigados a aplicar um desconto de 10% a todas as compras realizadas em caixas de autoatendimento. Na prática, uma conta de 150 dólares passaria para 135 — uma redução diretamente associada ao facto de o consumidor assumir funções que antes pertenciam a um funcionário.
A lógica é simples: menos custos com mão de obra deveriam traduzir-se em preços mais baixos. Para os defensores da medida, trata-se de uma questão de justiça económica. Se o modelo de negócio mudou, dizem, o benefício não deve ficar exclusivamente do lado das empresas.
Mas o setor não vê a proposta com o mesmo entusiasmo. Críticos alertam para dois cenários possíveis: ou as cadeias aumentam os preços de forma generalizada para absorver o impacto do desconto, ou optam por eliminar os sistemas de self-checkout, regressando ao modelo tradicional com caixas operados por funcionários.
O diploma ainda está longe de entrar em vigor. Precisa de aprovação na Assembleia Legislativa do estado e da assinatura do governador. Até lá, permanece como uma ideia em debate — mas uma que toca num nervo sensível do consumo moderno.
No fundo, a questão ultrapassa os 10%. Num contexto em que cada vez mais tarefas são transferidas para o consumidor — do check-in nos aeroportos ao atendimento digital —, o projeto de Nova Iorque levanta uma dúvida mais ampla: até que ponto estamos a aceitar trabalhar de graça para as empresas?
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