Sindicato da Energia reúne-se com o JPP e alerta para especificidades insulares

O SINERGIA- Sindicato da Energia reuniu-se com o partido JPP, para abordar temas referentes ao sistema eléctrico da Região Autónoma da Madeira: desafios técnicos, sustentabilidade e defesa dos consumidores. O Sindicato expôs as diferenças substanciais entre um sistema eléctrico interligado, como o ibérico, e um sistema isolado como o da Madeira.

Nos sistemas interligados, tanto os períodos de excesso de produção renovável que obrigam à restrição da injecção na rede (curtailment) como os períodos prolongados de baixa disponibilidade eólica e solar (Dunkelflaute) são, em parte, absorvidos pelos sistemas vizinhos. Num sistema isolado, essa possibilidade não existe: todos os desvios têm de ser compensados internamente, explica.

Daí decorre, para o sindicato, a imperiosa necessidade de manter soluções de potência firme capazes de garantir o pleno funcionamento do sistema todos os dias do ano. A potência firme e o armazenamento não constituem uma alternativa às energias renováveis: são a condição da sua expansão segura.

O SINERGIA reconheceu que o Grupo EEM aproveitou o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para concretizar investimentos relevantes e sublinhou que o investimento na produção hídrica tem gerado ganhos transversais. Alertou, contudo, para a necessidade de manter atenção permanente à variabilidade das condições
meteorológicas ao longo do ano e entre anos, que condiciona diretamente a disponibilidade do recurso renovável.

Em matéria de telecomunicações, o sindicato recordou que sempre defendeu a exploração pública do ramal do cabo submarino EllaLink solução concretizada através da EMACOM, empresa detida a 100 % pelo Grupo EEM, cuja Estação de Cabos Submarinos entrou em serviço em 2021. Para o SINERGIA, esta infraestrutura deve
ser preservada e reforçada em domínio público, por constituir um instrumento determinante para atenuar os custos grossistas de capacidade, que se repercutem no preço final suportado pelas famílias e pelas empresas da Região.

Em capítulo próprio e distinto, o SINERGIA transmitiu ao grupo parlamentar as suas posições em matéria laboral: negociações transparentes e conduzidas em simultâneo com todas as estruturas representativas dos trabalhadores; adopção de um sistema de avaliação híbrido, que combine critérios objectivos com apreciação qualitativa do
desempenho; e revisão gradual do Instrumento de Regulamentação Colectiva de Trabalho (IRCT), incluindo a ponderação do seu alargamento às demais empresas do Grupo EEM.

O SINERGIA agradeceu a oportunidade e o diálogo franco, manifestando disponibilidade permanente para prestar contributos técnicos sobre iniciativas legislativas que incidam no sector energético regional.

“O que nos move é o reconhecimento do trabalho realizado dentro do Grupo EEM e a garantia de que a população da Madeira e do Porto Santo tem acesso à energia ao melhor preço e com as melhores soluções de política pública.
Continuaremos a reunir-nos com todos os grupos parlamentares, sem qualquer distinção, porque estas são matérias de interesse regional e não de posicionamento partidário”, refere o Núcleo de Direcção da Madeira do SINERGIA.

O SINERGIA – Sindicato da Energia é uma organização sindical independente e nãopartidária que representa trabalhadores do sector energético. Está filiado, a nível nacional, na União dos Sindicatos Independentes (USI) e, a nível internacional, na World Organisation of Workers (WOW) e no Centro Europeu para as Questões dos
Trabalhadores (EZA).


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