AF!
Seattle, 6 de julho de 2026 – A Bélgica fez questão de lembrar aos Estados Unidos que, no futebol, nem a Casa Branca substitui uma defesa organizada. Em Seattle, os “Diabos Vermelhos” venceram por 4-1 e arrumaram com a equipa da casa dos quartos de final do Mundial 2026, transformando a mais recente tentativa de influência política em mais um episódio de comédia involuntária à norte-americana.
A novela começou antes do apito inicial, quando a FIFA decidiu levantar a suspensão de Folarin Balogun após recurso dos norte-americanos — gesto que coincidiu, de forma curiosamente oportuna, com declarações de Donald Trump a defender a presença do avançado no jogo decisivo. Houve quem chamasse a isso intervenção presidencial; outros, mais diretos, trataram o assunto como uma espécie de “cunha” em versão diplomática, sempre com o futebol a servir de palco secundário para o resto do espetáculo. A federação belga protestou, como seria de esperar, mas o relvado acabaria por ser o tribunal mais eficiente.
Dentro das quatro linhas, a Bélgica tratou de pôr ordem na narrativa. Entrou melhor, mandou no jogo e aproveitou com método as fragilidades de uma seleção norte-americana que, apesar do apoio local e do ruído em redor, nunca encontrou forma de travar a superioridade belga. Houve resistência, houve algum entusiasmo e houve também a habitual esperança de que a história pudesse ser reescrita por decreto. Não foi. O golo de Lukaku nos descontos apenas serviu para dar ao resultado um toque de carimbo final, daqueles que dispensam qualquer debate.
A eliminação ganha ainda mais ironia por acontecer numa Copa do Mundo organizada, em teoria, em casa — ou melhor, em três casas, porque Estados Unidos, México e Canadá já ficaram todos pelo caminho. Para os norte-americanos, sobra agora a tradição de procurar culpados elegantes: a arbitragem, a FIFA, a política, o calendário, o clima, o alinhamento dos planetas e, quando muito, um ou dois detalhes menores como defender e marcar golos. No futebol, porém, há uma crueldade antiga e pouco negociável: ganha quem joga melhor.
Com esta vitória, a Bélgica segue para os quartos de final e mantém viva a ambição de ir mais longe, enquanto os Estados Unidos regressam ao velho hábito de transformar derrotas desportivas em debates nacionais. No fim, ficou a lição de sempre: no relvado, propaganda não conta, cunhas não defendem e discursos não metem a bola lá dentro.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





