BE céptico quanto à situação futura da estrada das Ginjas

O Bloco de Esquerda Madeira exprimiu a sua “preocupação e profunda reserva” relativamente às notícias que dão conta do cancelamento do concurso público para a construção do caminho das Ginjas, obra inicialmente orçada em 11,7 milhões de euros.
O executivo regional justifica esta decisão com as múltiplas contrariedades ao procedimento concursal, incluindo providências cautelares, bem como com o facto de o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza ter assegurado verbas do PRODERAM 2020 destinadas à prevenção da floresta contra incêndios, integrando a recuperação de infraestruturas. Segundo o Governo Regional, estas verbas permitem enquadrar a intervenção na zona das Ginjas, dispensando assim um concurso específico, diz o BE.
Contudo, importa esclarecer que o cancelamento do concurso não significa, necessariamente, o abandono do projecto. Pelo contrário, a obra poderá avançar sob tutela do IFCN, através de uma nova rubrica orçamental. Esta realidade exige prudência e vigilância, recomenda Dina Letra, coordenadora regional do partido.
“Temos assistido a reacções que encaram o cancelamento do concurso como uma vitória ambiental. No entanto, se o projecto se mantiver, ainda que sob outra forma administrativa, estaremos perante o mesmo risco de intervenção numa área sensível da floresta Laurissilva, classificada como UNESCO Património Mundial. Qualquer avanço que comprometa este património natural constitui um grave atentado à sua preservação”, avisam os bloquistas.
“Desde o início que esta obra esteve envolvida em forte polémica, com contestação de associações ambientalistas e especialistas, precisamente por incidir sobre uma zona ecologicamente sensível. O Bloco de Esquerda Madeira não pode deixar de manifestar desconfiança perante a atuação do Governo Regional, que em diversas ocasiões demonstrou estar disposto a prosseguir com as suas opções, mesmo perante pareceres críticos e alertas técnicos fundamentados”, aponta o partido.
“O Bloco estará atento a todos os desenvolvimentos deste processo e apela à mobilização cívica. É fundamental que cidadãos, associações e organizações ambientalistas acompanhem de perto esta situação, exigindo transparência, rigor e respeito pela proteção da Laurissilva. A defesa do nosso património natural não pode ser contornada por expedientes administrativos. A protecção da floresta Laurissilva é um dever colectivo e inadiável”, refere Dina Letra.

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