O Centro Cultural e de Investigação do Funchal inaugura, sábado, dia 28 de Fevereiro, às 16:00, a exposição “Insinuando”, do artista madeirense Duarte Marques. A mostra reúne 62 obras realizadas a lápis, a acrílico e a óleo, revelando um percurso criativo que, embora cultivado ao longo de décadas, se apresenta agora pela primeira vez ao público, refere nota da CMF.
Apaixonado pelas artes desde a juventude, Duarte Marques descreve o seu trabalho como um traço que emerge antes da intenção — uma mancha que se adianta ao pensamento, abrindo espaço a temporalidades mais lentas, densidades íntimas e texturas que prolongam a respiração do desenho inicial. O seu caminho tem sido de coerência e entrega: um equilíbrio entre descoberta e rigor, entre impulso e construção.
O processo criativo do artista, refere o comunicado chegado à nossa Redacção, nasce no território íntimo da intuição, onde memória e imaginação se entrelaçam. As suas obras não procuram representar o real, mas sugeri-lo. Para ele, o risco é ambivalente: revela e apaga, constrói e suprime. É nessa tensão fértil — onde o gesto tanto afirma como hesita — que se inscreve Insinuando.
“Após uma vida preenchida por realizações pessoais e profissionais noutros domínios, Duarte Marques decide agora partilhar o seu trabalho artístico com o público. Com lucidez e humor, reconhece que cada risco dado — na tela, no papel ou no quotidiano — carrega a possibilidade de ser “riscado” do mapa dos que procuram um traço próprio. Ainda assim, arrisca. Não por ambição, mas por necessidade interior. Arrisca mostrar o seu risco porque gosta de riscar o que lhe apetece, com a confiança tranquila de quem sabe que risca bem — para si e para os demais”, afirma-se.
Insinuando sintetiza este movimento. Aqui, o risco — enquanto traço e enquanto ousadia — não descreve nem afirma: sugere. As obras insinuam realidades possíveis e convidam quem as observa a completar o caminho, a construir sentidos, a habitar o espaço entre o visível e o imaginado. Nada é imposto; tudo é convocado.
O artista deixa um desafio: que cada visitante corra também o risco — o risco de olhar com sinceridade, de riscar e ser riscado, de permitir que a arte abra espaço para novas tentativas. Afinal, dos acomodados não reza a história.
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