O deputado do Juntos Pelo Povo (JPP) na Assembleia da República afirmou-se “surpreendido e ofendido” esta sexta-feira, à sua chegada a Bruxelas, com as declarações do eurodeputado socialista da Madeira, Sérgio Gonçalves.
“São afirmações de um teor inominável e inclassificável no domínio da decência, consubstanciando o que de mais baixo existe na política e no jornalismo”, afirmou Filipe Sousa.
O deputado diz que a notícia não vem assinada, mas não tem dúvidas das origens e chama a atenção para “a viagem de jornalistas convidados de Sérgio Gonçalves a Bruxelas, em Outubro de 2025, curiosamente a pretexto de fake news, tenhamos isto em atenção”.
“A referida notícia, não assinada, usa palavas como ‘alegadamente’ para se referir ao objectivo da minha viagem de trabalho a Bruxelas, a qual é ainda classificada como ‘roçando o domínio do ridículo’ e configurando ‘prática reincidente de desconsideração política’”, explica o deputado do JPP. “Esta última observação não está atribuída a ninguém, fazendo-me crer que o jornalista assumiu como verdadeira e legítima a infâmia do eurodeputado Sérgio Gonçalves do PS.”
“Fui julgado e ofendido na minha dignidade e na seriedade que coloco no meu trabalho em prol dos madeirenses, sem direito a me defender, sem contraditório, acusado-me sem verdade, e enxovalhado-me de forma vil e parcial”, lamenta Filipe Sousa.
Esta polémica surge na sequência do anúncio de Filipe Sousa da sua deslocação a Bruxelas, a convite do partido VOLT, para abordar as questões da mobilidade aérea e marítima, entre o Funchal e Lisboa. Reuniões de trabalho que se seguem a uma exposição/queixa que o deputado do JPP apresentou à Comissão Europeia, pedindo que se pronuncie sobre o modelo de mobilidade aplicado na Região.
Filipe Sousa diz que “não tem paciência para ciumeira institucional” e explica: “A minha deslocação a Bruxelas tem uma agenda preenchida com reuniões com o Grupo de Eurodeputados do VOLT, com os quais abordarei a questão do subsídio de mobilidade, levando este assunto às instâncias europeias, coisa que o dito deputado nunca fez.”
“Aliás”, acrescenta Filipe Sousa, “não sei se ele tem liberdade para o fazer porque este deputado é o mesmo que na Assembleia Legislativa da Madeira afirmou que ‘desconhecia a existência de monopólio na carga e no transporte marítimo’, portanto, por este senhor a Madeira nunca terá um ferry porque ele foi funcionário do grupo empresarial que não quer a linha marítima de passageiros e carga, e que fez tudo para correr com o Armas da Madeira, como já afirmou publicamente o militante histórico do PSD, Miguel de Sousa”.
O deputado do JPP acrescenta: “Que fique claro que não reconheço ao senhor eurodeputado Sérgio Gonçalves a exclusividade para tratar de qualquer assunto que se refira à Madeira, em particular e às regiões autónomas no geral, e muito menos lhe reconheço a legitimidade para decidir a minha agenda política, ou para opiniar sobre com quem me devo reunir, ou se o devo fazer em Bruxelas ou em Machico.”
“Ficou claro que o senhor deputado tem folga aos sábados e domingos, e julga que todos os deputados ou eurodeputados fazem o mesmo, o que revela o quanto de pueril tem a sua intromissão na minha agenda de trabalho”, sublinha. “O senhor eurodeputado Sérgio Gonçalves bateu à porta errada, porque nunca fui de obediências ou subserviências e, como deputado eleito à Assembleia da República, vou escolher sempre, em liberdade, aquelas que me parecem ser as melhores estratégias para defender os interesses dos madeirenses e dos portugueses que em mim votaram.”
Filipe Sousa desafia Sérgio Gonçalves a mostrar provas ao eleitorado da Madeira das iniciativas e do trabalho que realizou em quase dois anos de mandato para corrigir a “enorme injustiça” que é o modelo do Subsídio Social de Mobildade (SSM) que penaliza madeirenses e porto-santenses.
“Esse senhor deputado tem muitas notícias na comunicação social da Madeira, todos os passos que dá, têm cobertura jornalística, é por isso estranho que com tanta informação amiga não se encontre uma única medida sua em Bruxelas sobre a injustiça da mobilidade aérea e sobre a linha marítima de passageiros e carga”, enfatiza Filipe Sousa.
O deputado do JPP reforça: “O meu mandato não depende da azia do senhor deputado, nem da sua clara arrogância e mania de exclusividade, como se agora, para falar em Bruxelas, seja preciso pedir a sua bênção, não é, mostre trabalho pela Madeira, seja elevado, preocupe-se menos com as notícias e mais em resolver problemas das regiões ultraperiféricas da Madeira e Açores, que são muitos, não ataque quem trabalha, é indigno.”
Filipe Sousa afirma que está a cumprir o que disse aos madeirenses na campanha eleitoral: “Prometi trabalhar e ser uma voz diferente, firme e independente do centralismo, para ajudar a resolver problemas da Região que o PSD e o PS na Assembleia da República não resolvem há anos, pelos vistos, essa inércia também chegou a Bruxelas. Tenho legitimidade própria e tenho a liberdade de agir e de escolher os meus interlocutores”, diz.
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