Rui Marote
As lojas asiáticas estão progressivamente a instalar-se no centro do Funchal, substituindo o antigo comércio local. É a mudança dos tempos.
Já não é novidade nenhuma. Lojas de tradição madeirense são “engolidas” pela mudança dos tempos e por investidores asiáticos. Trazemos à memória a antiga “Casa Tavares”, hoje extinta, então localizada na esquina dfa Rua da Sé com a Rua dos Capelistas, que decorava as suas montras com motivos natalícios que se inspiravam nas lapinhas de rochinha para atrair o olhar dos transeuntes. Os lojistas apresentavam ainda uma representação com manequins dotados de artefactos pirotécnicos em canavieira, conhecidos deste povo ilhéu como “fogo preso”. Um verdadeiro regalo para os nossos olhos.
Este estabelecimento comercial vendia tecido a metro, vestidos de noiva e cortinas e mais tarde papel de parede. Na Páscoa, o estabelecimento encerrava na quinta feira Santa e só votava a reabrir na terça-feira. Os madeirenses na ronda às igrejas nesta quadra quaresmal percorriam as ruas do Funchal para presenciar as montras decoradas e a “Casa Tavares” fazia parte daquela “via sacra”, sendo uma visita obrigatória.
Uma loja com uma fachada de azulejos negros, portas de madeira e caracteres em ferro chamava a atenção. Foi extinta em 2018. Ali nasceu a loja “Jacarandá Sé Gifts” especializada em produtos tradicionais de cortiça malas, sapatos e bijuteria. Vendia produtos madeirenses, compotas, rebuçados de funcho, bolo de mel, vinho madeira e botas de vilão. Mas encerrou portas em 2025. Hoje ao circularmos na Rua da Sé deparámo-nos com um cidadão oriental no interior do estabelecimento, que sofreu entretanto remodelações de pintura e de decoração. O novo espaço comercial abre ao público já no início da próxima semana e será mais uma loja de souvenirs.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.






