Porta 33 apresenta “Cartografia Sensorial Urbana”

A galeria de arte “Porta 33” vai desenvolver, a 20 de Novembro, pelas 18 h, o projecto “Cartografia Sensorial Urbana”, uma conversa e apresentação de um “Diário Gráfico Colaborativo”. A promotora do projecto é Marcela Lírio Campo.

“Vivemos em cidades cada vez mais aceleradas, onde nos deslocamos no piloto automático. Mas o que estamos a perder nessa pressa? Que histórias, memórias e sensações ficam invisíveis quando apenas atravessamos o espaço urbano sem realmente habitá-lo? O projecto Cartografia Sensorial Urbana apresenta no próximo dia 20 de Novembro, às 18h, na Porta 33, o resultado de um processo criativo e participativo que propõe um mapeamento do território que vai além dos dados geográficos tradicionais”. promete-se.

“Não se trata apenas de registar onde as coisas estão, mas como elas são experienciadas”, refere-se. Este é “um Mapa de Afectos e Memórias”.

“A cidade não é apenas betão e asfalto. Ela pulsa, respira, tem cheiros, texturas, sons. Este projecto captura essa dimensão sensorial e afectiva que nos conecta aos lugares através das vozes e experiências de um grupo de mulheres que têm em comum a experiência da imigração. Desenvolvido com o apoio da Associação Presença Feminina, o trabalho envolveu mulheres do Brasil, da Venezuela, de Moçambique, da Guiné-Bissau e da Madeira”.

“Através de práticas artísticas como o desenho de observação e a fotografia, estas mulheres foram convidadas a documentar as suas percepções sensoriais de alguns espaços da cidade do Funchal, como o Museu A Cidade do Açúcar, o Teatro Baltazar Dias, o Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s, a Quinta Vigia e o Monte Palace Madeira. Essas experiências foram traduzidas em mapas afectivos, derivas urbanas e narrativas coletivas que revelam camadas invisíveis da cidade. O resultado deste processo é um diário gráfico colaborativo — um documento vivo que materializa essas cartografias sensoriais, onde desenhos, memórias e percepções destas mulheres ficam registados e podem circular, inspirar e provocar novos olhares”, refere-se.

O  projecto “lembra-nos que todos somos cartógrafos da nossa própria experiência urbana. Cada pessoa carrega um mapa sensorial único da cidade que habita e, no caso destas mulheres, múltiplos mapas que se sobrepõem, dialogam e criam territórios novos. A Cartografia Sensorial Urbana é um convite para desacelerar, perceber, sentir e partilhar. É uma forma de resistência poética à invisibilidade das experiências quotidianas, especialmente daquelas que vêm de longe. Porque quando mapeamos o que sentimos, transformamos dados em narrativas. E quando partilhamos essas narrativas, transformamos espaços em lugares. Lugares com história, memória, afectos”

“A cidade está à espera de ser redescoberta. Junte-se a nós”, é o desafio.

Este projecto integra o programa ATOS, uma iniciativa do Teatro Nacional D. Maria II e da Fundação Calouste Gulbenkian, desenvolvida em parceria com a Câmara Municipal do Funchal. O trabalho contou com o apoio da Associação Presença Feminina na realização das sessões participativas.

(Agradecimentos: Porta 33, Museu A Cidade do Açúcar, Teatro Baltazar Dias, Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s, Quinta Vigia e Monte Palace Madeira por abrirem as suas portas e receberem o projecto).


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