
Henrique Sampaio
Esta madrugada, no Continente, onde residia há cerca de cinco décadas, faleceu o nosso conterrâneo, dr. João da Cruz Nunes.
Ordenado sacerdote, na Sé Catedral do Funchal, em 15 de Agosto de 1959, pelo bispo da diocese, D. David de Sousa, o dr. Cruz, como era popularmente conhecido entre a juventude de então, licenciar-se-ia em Românicas, em 1966, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com a apresentação de um estudo sobre «Os falares da Calheta, Arco da Calheta, Paul do Mar e Jardim do Mar”.
Regressado ao Funchal, foi nomeado assistente diocesano dos movimentos operários da Acção Católica (juvenis e adultos, e masculinos e femininos), tendo sido um dos principais responsáveis pela criação e dinamização do Centro de Cultura Operária, nesta cidade.
Natural da freguesia do Jardim do Mar, onde nasceu a 24 de Novembro de 1935, João da Cruz Nunes, conjuntamente com os drs. Arnaldo Rufino da Silva e José Manuel Paquete de Oliveira, foi responsável pelo programa «O Homem e a Vida», transmitido em 1967 pela Estação Rádio da Madeira, versando “temas da actualidade enquadrados numa linha de pensamento e orientação conciliares”. Uma orientação que o levaria a subscrever a célebre «Carta a um Governador”, datada de 22 de Abril de 1969.
Principal dinamizador do denominado «Grupo dos Padres do Pombal», com a ordenação em 21 de Abril de 1974 do novo bispo da diocese, D. Francisco Santana, João da Cruz Nunes tornou-se um alvo a abater, ao ponto do recém nomeado director do órgão da diocese o ter erigido como uma espécie de centro de comando da revolução na Madeira.
Com a destruição à bomba da casa onde morava em 11 de Novembro de 1975 e do seu pequeno automóvel em 14 de Janeiro de 1976, o dr. Cruz concluiu que não tinha condições para se manter como sacerdote e, ainda nesse ano, já em Lisboa, solicitou a redução ao estado laical, tendo prosseguido a actividade de professor no Liceu de Oeiras.
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