Rui Marote
Estepilha, as modernidades também avariam. No expresso Machico-Funchal, o motorista acumula as funções de cobrador, tarefa executada alguns anos atrás pelo bilheteiro, que dava apoio ao “chauffeur” nas manobras do autocarro (horário). Ele mudava as placas dos números das carreiras e ia à caixa (bagageiras), ajudando os passageiros na recolha dos seus pertences. Porém, com o avançar dos tempos, foram banidas do dicionário palavras como desdobramento e eventual, chefe de praça e bilheteiro.
Destas antigas palavras, só duas ainda entram no actual vocabulário: “Horário” que a empresa Horários do Funchal adoptou, e a expressão “Siga”, utilizada pelo bilheteiro alertando o motorista para pôr o carro em movimento. O “povinho” por brincadeira costumava dizer esta frase numa variedade de situações: “Siga Freitas”.
Este nome herdado é a sigla da nova rede de transportes públicos urbanos da Madeira e Porto Santo e pode ser combinado com as empresas concessionárias, como a “Siga Rodoeste”
Mas, voltando à nossa experiência, durante o trajecto entre Funchal e Machico a máquina electrónica que regista a compra e devolve o comprovativo (bilhete) não funcionava. O motorista bem tentou e o autocarro esteve alguns minutos paralisados sem solução.
Acontece, Estepilha… as máquinas não estão livres destes acidentes.
O “Siga Freitas” arrancou e numa nova paragem recebeu passageiros: aqui a maquina resolveu funcionar.
Como contas são contas o motorista percorreu o interior do autocarro em busca do passageiro anterior, que não tinha recebido o bilhete, e entregou-lho.
Para os que não estão habituados a esta nova modalidade, isto fez-nos recordar o “bilheteiro” que percorria todas as filas do autocarro cobrando o bilhete que era picotado com um alicate que fazia uns “furinhos” inutilizando o bilhete. Na mão esquerda exibia um molho de notas de 20 escudos, com o “Santo António”. Os viajantes recebiam o troco por vezes só no final da viagem.
Hoje o motorista é “pau para toda obra”. A modernidade dos autocarros mudou tudo. Graças ao carregar numa tecla as portas abrem-se e fecham-se Deixou-se de ouvir “Venha…! venha sempre…! Basta !!! “
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