Durante anos, o Elevador da Glória funcionou como uma “roleta russa mecânica” onde a segurança dependia de um cabo

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O relatório do GPIAAF sobre o acidente do Elevador da Glória expõe efetivamente falhas estruturais graves no sistema de segurança que colocavam em risco diário milhares de utilizadores.

 

As Duas Falhas Críticas Identificadas

Ausência de Sistema Redundante de Travagem

O relatório confirma que “os freios não têm a capacidade suficiente para imobilizar as cabinas em movimento sem estas terem as suas massas em vazio mutuamente equilibradas através do cabo de ligação” e que “não constitui um sistema redundante à falha dessa ligação”

Esta revelação é particularmente grave porque significa que o elevador operava com uma falha de conceção de segurança fundamental: se o cabo principal falhasse, não existia qualquer sistema secundário capaz de parar as cabines de forma independente.

 

Ponto Crítico Não Inspecionável

O GPIAAF confirma que “a zona onde o cabo se separou não é passível de visualização sem desmontagem, tornando impossível detetar problemas estruturais através das inspeções visuais de rotina realizadas diariamente.

 

Implicações da Irresponsabilidade Sistémica

Risco Diário Aceite

Durante anos, o Elevador da Glória transportou 769.000 passageiros só em 2024, funcionando essencialmente como uma “roleta russa mecânica” onde a segurança dependia exclusivamente da integridade de um único componente – o cabo de tração.

Falha na Cadeia de Responsabilidades

A situação evidencia falhas múltiplas:

  • Carris: Como operadora, deveria ter identificado e corrigido estas deficiências de segurança
  • Entidades reguladoras: Falharam na supervisão e certificação de sistemas de segurança adequados
  • Empresa de manutenção: Operava com protocolos de inspeção manifestamente insuficientes

Negligência vs. Irresponsabilidade

Esta situação transcende a negligência simples. Trata-se de irresponsabilidade sistémica porque:

  1. O risco era conhecido ou deveria ser conhecido pelos técnicos responsáveis
  2. Existiam normas internacionais para sistemas redundantes de segurança em funiculares
  3. A vida de pessoas estava em jogo diariamente sem sistemas de proteção adequados

 

Responsabilização Necessária

As revelações do GPIAAF exigem uma investigação abrangente que determine:

  • Quem aprovou o funcionamento do elevador sem sistemas redundantes
  • Quando foram identificadas (se foram) estas deficiências de segurança
  • Por que razão não foram implementados sistemas de segurança adequados
  • Que entidades falharam na supervisão regulamentar

 

O facto de 16 pessoas terem perdido a vida num acidente que poderia ter sido prevenido com sistemas de segurança adequados exige responsabilização criminal e política de todos os envolvidos na cadeia de decisão que permitiu esta situação inaceitável.

Esta tragédia não pode ser tratada como um “acidente inevitável”, mas sim como o resultado direto de falhas graves na gestão da segurança de infraestruturas públicas essenciais.


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