As férias. E agora?

Agosto é o mês de “tirar” férias. Ora se tirássemos as férias não as tínhamos. Repare como tanto, a expressão e a compreensão, são essenciais para a comunicação ser eficaz na vida. A diferença é sempre a perspetiva e a visão da variável em análise.

Os adultos que escolhem ser pais, com o encerramento das escolas, são empurrados à força a usufruir da beleza a tempo inteiro da companhia da sua descendência, os seus filhos. Os filhos de volta ao colo. Competimos saudavelmente com o sol, nos dias infinitos de praia. É belo de mais os teatros da nossa vida, sejam eles uma refeição (pequeno-almoço, almoço ou jantar) ou um trajeto de carro, ou uma atividade desportiva ou qualquer outra atividade do quotidiano, todos com oportunidades únicas irrepetíveis de comunicar olhos nos olhos, em estado presente e com total aprendizagem, desenvolvimento e aquisições.

As coisas demoram a fazer sentido. E quando fazem, a Vida é mais preenchida e invariavelmente mais plena. O verão tem o talento dos reencontros. Da correria desenfreada pelo pôr-do-sol. De viajar, lá fora ou cá dentro. E também de postar e mostrar ao mundo que fizemos, que temos, que vivemos… e no caso de não fazer, talvez, não seremos aceites, respeitados pelos outros… e vivemos para os outros, em função dos outros. E a nossa vida deixa de ser nossa e passa a ser dos outros, de todos, menos nossa. Vamos viver devagarinho. Vamos observar devagarinho. Vamos contemplar porque é na observação, dos sábios e mestres, que aprendemos mais, “a ver como se faz”.

Os sistemas que nos envolvem têm um passaporte muito próprio com um destino certeiro. O verão pode ser um destino semanal, onde as crianças são felizes, onde os pais são felizes em dobro e o mundo será mais sereno e inteiro. São precisos mais verões sem pegar no telemóvel. O tempo tem saldo. As nossas crianças necessitam de gastar o saldo disponível do nosso tempo e não a bateria dos aparelhos tecnológicos.

Quando os adultos se fazem de pequeninos no meio das crianças serão enormes e voltem lá as vezes que forem necessárias, repitam para a profecia de lutar contra tudo o que nos quer moldar, igualar e deixarmos de ser os heróis das nossas crianças e assim acabar com a ideia imposta pela sociedade da perfeição.

E não tem como não acreditar que as crianças movem o mundo e movem o mundo interno dos adultos. O nosso olhar dirigido às crianças é e será a jornada mais bonita da finitude de um banquete de etapas de degustação.

O segredo de um verão eterno? Não faço ideia. Somos todos tentativas. E acredito que dá muito mais trabalho não ser feliz.

Caro leitor aproveite e meta e/ou tire férias em Agosto, se for o caso. Só porque sim, porque o verão é a promessa por cumprir, o desejo que se repete todos os anos e a eterna juventude da Vida.

Drª. Luísa Maria
Terapeuta da Fala
Especialista em Miofuncional Orofacial

 

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