PS-M diz que GR tem de explicar porque lançou 3ª fase do novo Hospital por valor inferior ao que já tinha estimado

O PS-M voltou, hoje, a exigir que o Governo Regional esclareça por que razão, tendo uma estimativa do custo da terceira fase da obra do novo hospital na ordem dos 320 milhões de euros, decidiu lançar o concurso para a empreitada por menos 55 milhões de euros. A decisão levou a que não tenha havido empresas interessadas e vai obrigar à paragem da obra, dizem os socialistas.

Em conferência de imprensa realizada esta manhã, a presidente do PS-Madeira reafirmou que Miguel Albuquerque deve uma explicação aos madeirenses sobre esta decisão política, tendo em conta que tinha os pareceres técnicos e as estimativas que apontavam para um valor superior àquele pelo qual foi lançado o concurso público.

Conforme declarou Célia Pessegueiro, “os técnicos apresentam propostas, estimativas e preços, mas quem decide lançar [o concurso] são os políticos”. “A última assinatura ou é do presidente do Governo ou do secretário regional”, afirmou, frisando que “alguém tomou uma decisão estritamente política de lançar uma obra com um custo inferior a uma estimativa que existia”, e que esta circunstância tem de ser esclarecida.

A dirigente socialista referiu que, via Grupo Parlamentar, o PS já solicitou ao Executivo a documentação relativa a esta terceira fase de obra do hospital e que aguarda pelos novos desenvolvimentos, nomeadamente a reavaliação dos preços da infraestrutura, que Miguel Albuquerque prometeu apresentar. “Agora, no espaço de um mês, vai fazer o trabalho que não fez anteriormente, que era lançar a obra por um valor o mais actualizado possível e o mais ajustado à realidade do mercado e dos preços da construção e dos materiais”, reparou.

Célia Pessegueiro insiste na necessidade de clarificação, até porque esta situação vai provocar uma derrapagem não só no custo da obra, mas também nos prazos de conclusão e de entrada em funcionamento. “Neste momento, temos as paredes levantadas, mas o essencial da obra ainda não está feito, que é esta terceira e última fase, a mais importante. Nós não temos hospital, nem perspetivas de quando é que vamos ter. Essa é uma preocupação que os madeirenses têm e querem ver resolvida, até porque a implicação da não entrada em funcionamento do novo hospital é continuarmos nas instalações que temos, precárias, sem as condições devidas para receber e tratar todos os utentes como deve ser”, diz.

Do mesmo modo, e porque se trata de um Projecto de Interesse Comum, cofinanciado pelo Governo da República, o PS requereu, na Assembleia da República, uma audição parlamentar ao secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, que já foi aprovada, estando a aguardar agendamento. A líder socialista referiu que os Executivos do PS asseguraram sempre a comparticipação de 50% do custo do hospital, pelo que, agora, impõe-se também que o Governo da AD venha clarificar esta questão, atendendo à subida dos valores, refere o comunicado de imprensa dos socialistas madeirenses.

 Célia Pessegueiro salienta que estamos a falar da obra do século na Madeira, cujas estimativas, indicadas por pessoas do meio, já apontam para um custo total de perto de mil milhões de euros, o equivalente a praticamente metade do Orçamento Regional. Uma circunstância que torna imperativo um cabal esclarecimento por parte do “dono da obra”, o Executivo madeirense.


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