CHEGA quer regime específico de quotas de pesca para as regiões autónomas

O grupo parlamentar do CHEGA na Assembleia da República apresentou um projecto de resolução que recomenda ao governo da República a realização de negociações formais com a União Europeia e com parceiros europeus, com o objectivo de aumentar as quotas de pesca atribuídas a Portugal e criar um regime específico de quotas para as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, refere uma nota.

A proposta, que reuniu contributos de Francisco Gomes e Ana Martins, deputados do CHEGA eleitos pela Madeira e pelos Açores, respectivamente, pretende corrigir o que o partido entende serem “injustiças sem qualquer sentido” e assegurar que a pesca artesanal que é praticada de forma sustentável nas ilhas atlânticas é valorizada e protegida.

O CHEGA considera que o actual sistema de quotas da União Europeia, ao aplicar critérios que diz serem uniformes a contextos que, a seu ver, são “profundamente distintos”, penaliza de forma “inaceitável” os pescadores portugueses, em particular os que exercem a actividade nas autonomias atlânticas.

O partido também denuncia que a quota de pesca de atum atribuída a Portugal foi sendo reduzida de cerca de 11.000 para 2.700 toneladas, esgotando-se em pouco tempo e deixando centenas de famílias no desemprego e armadores em risco de falência.

“A pesca artesanal não pode ser tratada como pesca industrial. Esta quota miserável imposta a Portugal é um golpe social e económico. Já o silêncio dos sucessivos governos é uma traição às comunidades que vivem do mar com dignidade e esforço”, alega Francisco Gomes, deputado pela Madeira.

O projecto do CHEGA refere que, nas regiões autónomas, a pesca é “muito mais do que uma actividade económica”, mas também “parte da identidade cultural, da coesão territorial e da sustentabilidade ambiental”. Diz ainda que técnicas como o salto-e-vara, ainda hoje utilizadas, demonstram o “compromisso das comunidades locais com práticas selectivas e respeitadoras dos ecossistemas”.

Além do aumento das quotas nacionais, o partido propõe que o governo da República negoceie directamente com outros Estados europeus a realização de troca de quota, para colmatar o défice que atinge a frota portuguesa.

“O CHEGA vai continuar a ser, com clareza e convicção, a voz dos pescadores e dos armadores na Assembleia da República. Eles não pedem privilégios, mas só e apenas justiça. E é essa justiça que estamos determinados a conquistar, custe o que custar”, afiança Francisco Gomes.

Com esta iniciativa, o CHEGA reafirma o seu compromisso com as comunidades piscatórias nacionais, incluindo as das regiões autónomas, exigindo que o governo da República defenda com firmeza os interesses de Portugal junto da União Europeia.


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