Rui Marote
Estivemos recentemente em Santa Cruz para verificar in loco o estado da Capela de Santo Amaro e fotografá-la para uma reportagem publicada no FN.
Aproveitámos para fotografar exteriormente a Quinta do Revoredo. Como a História não se apaga com uma borracha, fomos beber à fonte: como a Câmara de Santa Cruz travou a quinta de ser dividida em três lotes, e como comprou este imóvel em 1988, para albergar a Casa da Cultura em Santa Cruz.Uns apontamentos para esclarecer um engano muitas vezes erradamente disseminado: a ideia de que a Quinta do Revoredo foi comprada pela Câmara à família Blandy.
Esta Quinta situa-se na Rua Bela de São José, no centro da cidade, situada na costa sul da Madeira, com uma área de 2770 m2 a uma altitude de 16 m e com uma vista privilegiada sobre o Oceano Atlântico. Os terrenos da antiga Cerca do Convento da nossa Senhora da Piedade (Quinta do Revoredo) foram adquiridos à Fazenda Pública pelo comerciante inglês John Blandy (1783-1855) para constituir a quinta em 1840. John Blandy, marinheiro de um navio inglês, foi o primeiro membro da família Blandy a fixar-se na ilha da Madeira em 1811 para se dedicar ao comércio de exportação do vinho. Os seus netos habitaram na quinta durante parte da sua vida.
Charles Blandy (1846-1905) foi notável aguarelista que retratou as paisagens madeirenses, estando hoje grande parte do seu espólio Museu de história natural do Funchal. Onde hoje é a Biblioteca Municipal de Santa Cruz, era o seu atelier de pintura e de fotografia.
Aqui começa a verdadeira questão0: a Câmara de Santa Cruz não comprou nada à família Blandy…
Em 1986 o presidente da edilidade, na altura Luís Gabriel, entrou em conversações para comprar a quinta, que era composta por três casas.
As conversações decorreram no hotel Altis em Lisboa. Nem chegou a haver contrato promessa com Adam Blandy, que acabou um ano mais tarde por vender a propriedade a um emigrante madeirense natural da Calheta, residente na África do Sul, de nome Gilberto Maciel Teixeira.
Só em 1988 a edilidade santacruzense adquiriu a quinta em contrapartidas com o emigrante. A casa dos criados que fazia parte do lote ficou na posse do emigrante, com permissão de fazer uma saída para o mar (hoje zona balnear).
Presentemente a denominada casa dos criados está à venda (ver foto).
Outra contrapartida combinada: efectuar na zona do Garajau um empreendimento, onde existe uma pizzaria, com um andar recuado, propriedade do irmão do emigrante.
O sr. Gilberto e a Câmara concordaram portanto com o acordado e a quinta foi adquirida por 30 milhões de escudos, que nos dias de hoje representa cerca de 150.000 mil euros.
As obras de adaptação e reconstrução para adaptação da Casa da Cultura e Biblioteca Municipal e para colocá-la ao serviço da população ao mesmo tempo que enriquecia o património municipal e regional foram então iniciadas. Só em 1991 o presidente do Governo Regional presidiu à inauguração do anfiteatro e da Biblioteca Municipal, infraestruturas que integram a denominada Casa da Cultura de Santa Cruz.
Hoje é um bom equipamento cultural e patrimonial do concelho.
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