Abri(l)iberdade !

O povo saiu à rua… O ser humano é livre por essência. As palavras também têm cobertura e recheio. Cobertura de ser livre e recheio de dor. A nossa liberdade tem história de coragem e de dor.

É a liberdade que se celebra. Não esqueçamos a canção do Jorge Palma e do Sérgio Godinho: “Todos nós pagamos por tudo o que usamos | O sistema é antigo e não poupa ninguém | Somos todos escravos do que precisamos | Reduz as necessidades se queres passar bem | Que a dependência é uma besta…”

Ser livre é não ter medo de perder e de errar. Por isso, as crianças são livres. E com isto é necessário dizer não. O “não” mantêm as relações entre pais e filhos, amigos e casais. O desejo de ultrapassar os limites faz nos sentir livres ! Quanto menos limites, maior é a sensação de liberdade. Ora bem, visão distorcida do verdadeiro ser livre. Porque queiramos quer não, “Tudo é-me permitido, mas nem tudo me convém”, Acredito que, o mais desafiante é a liberdade responsável. Assumir as escolhas, analisar as possibilidades e observar os caminhos possíveis de forma consciente. Toda esta clarividência reforça a nossa auto-estima e define a nossa identidade.

Ser livre de verdade é assumir responsabilidade por cada momento vivido ao sustentar as escolhas da maneira mais autêntica possível.

Quando falamos de liberdade não podemos dissociar dois conceitos: responsabilidade pelos atos e a consequência dos mesmos.

As nossas crianças, sim nossas, porque as crianças são do mundo e o mundo é a nossa casa… precisam de ter a consciência e não terem dúvidas destes dois conceitos para que sejam inteiramente livres e sintam a liberdade na sua plenitude. A melhor forma de viver feliz e em liberdade é um treino consistente e as crianças aprendem também por observação, ao verem os seus exemplos felizes e livres… o processo de ensino-aprendizagem é muito mais facilitador. Só depende de cada um. É uma escolha.

Caros leitores, e não escolher já é uma escolha… e esta escolha transforma-se em condenação porque de qualquer maneira haverá alguém que escolherá por nós sem que nos apercebamos.

Enquanto a minha memória permitir, agradeço o que Abril de 1974 fez por mim.

Drª. Luísa Maria
Terapeuta da Fala
Especialista em Miofuncional Orofacial


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