Relembrando Bernardino Faria

Lá se foi para o lado onde mora o vento o meu amigo Comendador Bernardino Faria…

No dia da inauguração do túnel para o seu Concelho da Ponta do Sol, Bernardino Faria foi-me convidar para irmos juntos.
– “No meu carro?” (O Bernardino não conduzia na Madeira)
– “Não, vamos de barco” – disse-me !  “Já comprei os dois bilhetes”.
Chegámos à Ponta do Sol na Nau Santa Maria e fomos logo visitar a sua mãe que vivia ao lado do Palácio dos Zinos.
– “Sabe, minha mãe fez cem anos!” “Cem anos”, repetiu. E na subida outra vez: – “Já viu (?) cem aninhos!”
Lá estava senhora à entrada do terreiro:  – “Olhe mãe, este senhor é do governo e é meu amigo”, disse.
Tirámos uma foto os cinco: a senhora, o Bernardino e a filha, o João, o marido e eu.
À tarde descemos para a inauguração do túnel e o “Duque de Olivença”, como era conhecido desde o episódio da recepção do Embaixador de Espanha em que o Bernardino reclamou Olivença para Portugal, fomos encontrar-nos com o Dr. Alberto João Jardim, de quem era amigo.
Vestido a rigor como sempre, parecendo-se com um cavalheiro espanhol com o cabelo fixo pela brilhantina, distinguiu-se entre os demais; ele e o seu amigo Alberto João.
Aqui no Til, onde moro, Bernardino ficou conhecido por ter impedido a ocupação da sua casa cimentando portas e janelas
Em Albertskroom foi o impulsionador do Lar Rainha Santa Isabel, que visitei inúmeras vezes.
Quer nos Wednesday Boys; quer na Academia-mãe ( do Bacalhau) em Camperdown, tive tantas vezes o privilégio de estar com ele .
O homem de inesgotável afecto e de educação real (de Duque), o comendador Bernardino Macedo de Faria preenchia o espaço com a sua voz de tenor e as repetidas vezes como começava as frases: – “Sabe?” E dizia tudo o que tinha a dizer rindo com os seus olhos sábios, e todos o ouviam.
Claro que esta ausência é “complicada”. Gostava muito dele e ele de mim.
Um abraço Bernardino.

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