
O livro de poesia «Arestas», de Sílvia M. Vasconcelos, tem uma nova edição, a segunda, que será apresentada esta sexta-feira, dia 29 de Novembro, na cidade do Funchal. O evento vai decorrer no Hotel Orquídea, a partir das 19 horas.
Publicado pela On y va, «Arestas terá esta segunda edição apresentada pelo professor Edgar Silva e pelo escultor Francisco Simões. Haverá ainda leitura de alguns dos poemas, por actores do Teatro Experimental do Funchal: Celina Pereira, Fernanda da Gama e Duarte Rodrigues.
Numa intervenção recente, o poeta e professor António Souto assinalou que este livro «é uma espécie de digressão sensível pela ilha-mãe da autora, mas é também uma discreta peregrinação íntima à ilha que a própria autora oculta e busca dentro de si». Referiu a propósito a linha simbólica saramaguiana de «O conto da ilha desconhecida»: «É necessário sair da ilha para ver a ilha, não nos vemos se não nos saímos de nós.»
Sobre o livro
Paul Valery defendia que o propósito da poesia não é comunicar pensamentos, mas sim dar à luz estados emocionais. É nesses estados que Sílvia M. Vasconcelos caminha na poesia, que vê como emocional, não racional ou pragmática como a ciência. «Na poesia é o coração que impera, e desnuda-nos», partilha, convocando uma ideia de Pablo Neruda, a de que a poesia tem comunicação secreta com o sofrimento das pessoas.
Em «Arestas», a autora mostra-nos sobretudo afectos e lugares, «e é precisamente daí que parte a poesia», assinala. Vendo a expressão poética como de definição múltipla, que sempre brotará igualmente de múltiplas fontes – com a mais ancestral e contagiante a ser a nascente amor –, Sílvia M. Vasconcelos acredita que o maior propulsor da poesia, precisamente o amor, sujeita os seus artífices a uma linguagem metafísica nem sempre clara, nem sempre precisa. Uma linguagem na verdade etérea, pouco concreta. Mas sempre estética, e até crítica. Como mostra neste belo livro.
E depois há o mar. E a ilha. Natural da Madeira, a autora fala de uma relação visceral sem a qual é difícil viver, e com a qual, paradoxalmente, é difícil viver. «O mar desde cedo apontou-me caminhos de partida, talvez de escape, que porém se defraudavam ao dobrar o horizonte. É uma eterna inquietação atormentada por contradições: querer partir para logo depois ansiar regressar», diz. Uma espécie de bipolarização entre sedução e fascínio, de um lado, e do outro aprisionamento e sequestro.
A autora
Sílvia M. Vasconcelos nasceu na Ilha da Madeira, no Funchal. Desde cedo definiu as suas grandes paixões: os animais, a poesia e demais literatura e o teatro; foram as duas últimas que pela reflexão que suscitaram a conduziram também à política.
Para a poesia despontou aos dez anos, pela mão de uma professora de Português, chegando a ganhar um prémio num certame escolar. No teatro e na declamação de poesia começou igualmente cedo, aos treze anos, tendo sido actriz do Teatro Experimental do Funchal durante trinta anos.
A paixão pelos animais levou-a a estudar e enveredar profissionalmente pela Medicina Veterinária, tendo concluído mais tarde o mestrado e o doutoramento em Ciências Veterinárias, este último sobre os benefícios dos animais para a saúde mental da população idosa, que resultou num livro.
O activismo, a arte e a literatura (e o inconformismo com as desigualdades) levaram-na à política, tendo sido eleita deputada para a Assembleia Legislativa da Madeira. Bateu-se sobretudo pela causa animal, pela cultura, pelos direitos das mulheres, das crianças e dos idosos, e pelos direitos laborais e outros temas sociais, no seu mandato de 2015 a 2019.
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