Conhecemos o General Altino Magalhães há 48 anos em Ponta Delgada Açores, na ilha de São Miguel. Era casado com uma madeirense, filha do governador da Madeira, capitão-de-mar-e-guerra Inocêncio Camacho.
Em finais de 1975 Ponta Delgada vivia num período muito agitado, com grandes manifestações, em plena crise política da luta ideológica e da agitação anticomunista e separatista. A situação acabou por evoluir com o apoio do general, favoravelmente para as forças políticas não comunistas e defensoras da autonomia, com a expulsão dos Açores de um grupo de adeptos das teses esquerdistas.
Em 6 de Junho de 1975 ocorreu em Ponta Delgada uma grande manifestação de protesto, que tinha sido proibida e que degenerou numa manifestação separatista aos gritos exigindo a independência dos Açores.
Na história do Jornal da Madeira, então, nunca nenhuma equipa de reportagem tinha saído desta ilha para efetuar reportagens.
A Madeira vivia os acontecimentos dos Açores que era uma caixa de “ressonância” do aparecimento do movimento Flama. Alberto João Jardim, então director, envia uma equipa a Ponta Delgada, Açores, para efectuar um suplemento sobre os acontecimentos, com entrevistas aos apoiantes da FLA e representantes de partidos.
Filipe Malheiro e Rui Marote foram os enviados especiais. Já em 1976, o JM voltou em força e por três vezes enviou os jornalistas José António Gonçalves e Rui Marote.
Numa dessas missões, a tarefa era entrevistar o Presidente da Junta Regional dos Açores, general Altino Magalhães, que ocupou esse cargo de 26 de Agosto de 1975 a 8 de Setembro de 1976 e que acumulava o cargo de de governador militar.
Era um sábado, cerca das 12 horas. Batemos à porta da residência. A mesma abriu-se, e a nossa frente vimos uma enorme escadaria. Lá no topo, o general, que se fazia acompanhar de um enorme cão da raça pastor alemão. Do patamar da escada José António gritou: “Somos da Madeira, jornalistas, queremos falar com o Sr. General”… Resposta:- “Estou de saída…”
Jose António insistiu: “Seremos breves!”
“Subam”, disse o general, e a entrevista desenrolou-se no cimo da escada. Na época as ferramentas dos jornalistas eram um antigo gravador, e o do JM era um rádio com duas cassetes (como referência idêntico aos rádios dos emigrantes que regressavam á Madeira e que o transportavam no ombro ou às costas).
A entrevista teve inicio e acabou por alongar-se. A cassete chegou ao fim
e emitiu um sonoro apito, avisando que deveria ser substituída. De imediato o cão do general, que “assistia” à entrevista, ao ser alertado pelo som do rádio-gravador começou a ladrar insistentemente. O General interveio:- “Cala-te! Quem está dar a entrevista sou eu!” Desfizemo-nos em risadas. Mas algo ainda estava para acontecer: o general, que estava de saída, prestou-se a dar-nos boleia e o caricato aconteceu: José António viajou ao lado do general, que conduzia, mas o jornalista que assina esta memória teve de viajar no banco traseiro, na companhia do intimidante cachorro…
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