Rui Marote
O Funchal Notícias descobriu no centro do Funchal em dois estabelecimentos comerciais obras cerâmicas com cerca de setenta anos que merecem ser conhecidas. Painéis cerâmicos que merecem ser divulgados, estudados e protegidos. Tudo para que não lhes aconteça como a um painel da grande pintora Menez, no Hotel do Porto Santo que foi destruído em tempos pela pouca importância que lhe deram.
Algumas obras estão no Oculista Symphrónio, na Rua João Gago, que encerrou em Março de 2023 e que será ocupado pelo Laboratório de Análises criado pelo Dr. Francisco Henriques Gouveia (falecido) que funciona precisamente ao lado, no nº 10, 1º andar. Esta emblemática casa de óculos tem nas paredes dois painéis cerâmicos de uma artista plástica húngara radicada em Portugal entre 1946 e 1957, Hansi Stael, que se dedicou à pintura, desenho, gravura, ilustração decoração e cerâmica.
As duas pinturas cerâmicas representam uma delas uma bananeira, e a outra uma florista com cesto à cabeça.
A cidadã húngara desenvolveu a maioria do seu trabalho na fábrica Secla em Caldas da Rainha. Estes dois painéis cerâmicos chegaram à Madeira em 1957. Não sabemos quem os encomendou, e se a artista esteve na Madeira. Sabemos que veio a falecer em Londres em 1961.
Em 1950 fundou o Estúdio SECLA e, a partir de 1954, dirigiu o sector artístico da empresa, contribuindo activamente para a renovação estética da produção da fábrica.
Expôs individualmente na Galeria de Março (1953) e na Galeria do Diário de Notícias (1957). Participou nas exposições de cerâmica moderna organizadas pelo S.N.I. (1950-1954), onde foi galardoada com o Prémio Francisco de Holanda (1954).
Expôs individualmente na Galeria de Março (1953) e na Galeria do Diário de Notícias (1957). Participou nas exposições de cerâmica moderna organizadas pelo S.N.I. (1950-1954), onde foi galardoada com o Prémio Francisco de Holanda (1954).
Fez parte do grupo de ceramistas portugueses premiado com Medalha de Ouro na Exposição Internacional de Cerâmica (Cannes, 1955). Participou em diversas exposições de gravura portuguesa contemporânea bem como na 1ª Trienal Internacional de gravuras originais a cores (Grenchen, 1958). Participou ainda na I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa, 1957).
Graves motivos de saúde levaram-na a abandonar a SECLA em 1957, vindo a falecer em Londres quatro anos mais tarde.
Graves motivos de saúde levaram-na a abandonar a SECLA em 1957, vindo a falecer em Londres quatro anos mais tarde.
Está representada em coleções públicas e particulares, nomeadamente: no Museu do Chiado em Lisboa; no Museu de José Malhoa em Caldas da Rainha e na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa.
Quanto à outra cerâmica, encontra-se na Rua Fernão de Ornelas no estabelecimento “Casa do Bolo do Caco”, numa parede ao fundo, junto a escada de acesso a uma cave.
Pedimos autorização para fotografar, mas não descobrimos a data nem autor desta obra. Este espaço, na altura em que abriu a Fernão de Ornelas, a maior rua do Funchal, era ocupado por uma loja do antiquário Cayres e anos mais tarde albergou uma loja de máquinas de costura Singer. Tudo nos leva a pensar que este painel tenha sido pertença do Cayres.
Este tipo de cerâmicas revelava uma “moda” apoiada por grandes arquitectos como Chorão Ramalho que tem vasta obra na Madeira, ou o arquitecto Conceição Silva, ou ainda Mestre Guilherme Camarinha.
Não esquecer o que o nosso António Aragão fez para o Mercado de Santa Cruz uns belíssimos painéis cerâmicos datados de 1962, feitos na Fábrica do Outeiro em Águeda. Isto, apesar de particular, é património cultural da RAM que deve ser conhecido e classificado.
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