Rui Marote
No Funchal Notícias de 2024 persistem problemas graves de exclusão social e pessoas sem-abrigo e entregues às dependências. Ainda recentemente o FN apontou degradação estrutural no viaduto da cota 40, mas hoje falamos de um outro tipo de degradação e “maleitas”: há “inquilinos” vivendo em condições lamentáveis debaixo do início do viaduto, junto ao Largo Severiano Ferraz, perto da Cruz Vermelha.
Este é um problema que não se resolve só com dinheiro.
Os políticos gostam muito de falarem soluções miraculosas avançando com dinheiro para resolver problemas que são impossíveis de erradicar se não existir todo um trabalho conjunto, permanente e na área social, que vai além das questões monetárias.
Em Fevereiro de 2022 um político da nossa praça, anunciou que ia acabar com o problema dos sem-abrigo no Funchal e mostrou-se disponível para cooperar com a Casa de São de Deus para esse fim.
Decorreram três anos e oito meses e a promessa está para ser cumprida: ainda sobram sem-abrigo um pouco por todo o lado.
Em Novembro de 2019 o Governo central prometeu 131 milhões para combater o problema dos sem abrigo, com apoios às Câmaras: até agora zero.
Bruxelas em 2021 prometeu “mais dinheiro europeu” para tirar sem abrigo das ruas. O objectivo era reduzir 700 mil pessoas que dormem nas ruas da Europa.
Foi lançada uma plataforma europeia de combate à situação. Conclusão: ficou nas gavetas a intenção e os sem-abrigo multiplicam-se nas próprias ruas de Bruxelas, entre outras cidades da Europa.
Agora os números são outros, aumentando ainda mais devido ao afluxo de migrantes.
A Madeira não foge á regra. Na “Singapura do Atlântico” cidadãos oriundos de países como Índia, Paquistão, Nepal e Butão já batem à porta da Associação Protectora dos Pobres no Funchal, a pedir auxílio.
Roberto Aguiar, director técnico da instituição também conhecida ” Sopa do Cardoso” confirma o numero crescente de migrantes já em situação de sem abrigo.
Entretanto, a quadra natalícia está à porta. As luzes ainda se acenderam, as decorações ainda não se iniciaram, mas um outro tipo de emigração sazonal e oportunista aconteece: o número de romenos habituais nesta altura já estão nas ruas do Funchal e nos cafés da baixa citadina. A concertina já se ouve tocada por uma jovem, as fotografias expostas de crianças para comover, a distribuição de pequenos panfletos às mesas dos cafés para caçar euros prossegue. Uma mulher “contorcionista” apoiada em duas canadianas exibindo falsa deficiência passeia-se pela cidade. Ao final do dia as redes de angariadores recolhem as esmolas de diversos destes “quadros” expostos no Largo do Chafariz, Rua Fernão de Ornelas e outros locais.
Estes cidadãos não chegam á Madeira em barcos de borracha ou a nado.A porta de entrada é o aeroporto e o espaço Schengen funciona. Este é o Natal antecipado dos madeirenses bons samaritanos. Entretanto temos os nossos próprios, e verdadeiros, sem-abrigo para cuidar. Um sério problema para resolver, a exigir a boa vontade de todos.
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