Segurança Social notificou Living Care para repor condições no Lar da Bela Vista
As fotografias que nos foram remetidas atestam o estado de degradação de várias estruturas físicas do edifício.
Luís Rocha/Rui Marote
O Instituto de Segurança Social da Madeira, órgão dependente da Secretaria da Inclusão do Governo da Madeira, notificou a “Living Care”, entidade gestora do Lar da Bela Vista, para a reposição das condições normais de funcionamento para os utentes, soube o Funchal Notícias.
A polémica está na ordem do dia. Utentes, familiares de utentes e funcionários do Lar da Bela Vista denunciaram ao FN, inclusive através de fotografias, o estado de degradação que consideram grassar dentro da instituição, cujo edifício apresenta os sinais da passagem do tempo, com uma manutenção que deixa a desejar e que não assegura aos idosos serviços mínimos como a possibilidade de um banho decente.
O Funchal Notícias, na sequência dos recentes alertas do Chega e do ADN sobre a situação de degradação no lar da Bela Vista, alerta que as pessoas queixam-se das más “condições actuais a que TODOS OS UTENTES estão sujeitos, para a sua higiene pessoal (duche) uma vez que as caldeiras estão INOPERACIONAIS e sem licença ou termo de responsabilidade para estarem em funcionamento, e SEM PROFISSIONAIS (Fogueiros) habilitados para as manusear. As mesmas encontram-se em estado considerado de “ferro velho”, considera fonte identificada e credível.
Dizem ainda que “os velhinhos que estão ainda lúcidos e autónomos já estão desesperados e não querem saber se a responsabilidade pela resolução dessa situação é do proprietário do edifício (Governo Regional ou SESARAM) ou de quem está a dirigir a instituição. Querem mesmo é tomar banho/duche normalmente”, sem ser com água fria”, apontam as críticas que nos chegaram.
Outra situação, segundo nos reportam, é “a falta de isolamento relativo aos esgotos”.
“Não se sabe se estarão canalizados para a rede pública ou se ainda será tipo fossa séptica, mas em todo o edifício do lado nascente, o cheiro nauseabundo a esgotos é brutal”, descrevem-nos.
“Tal situação, de maus cheiros e podridão é também ela nociva para a já frágil saúde de que lá está institucionalizado e para quem lá trabalha”, referem-nos ainda as nossas fontes.
Como se poderá melhorar ou intervir nesta situação? Foi a questão que apresentámos ontem ao final do dia a duas instituições, a Secretaria Regional da Inclusão e a “Living Care”, entidade que actualmente gere o Lar da Bela Vista, via email.
O Governo Regional respondeu. Da Living Care não tínhamos recebido até ao final da tarde de hoje qualquer resposta. Segundo o FN apurou, o empresário Tony Saramago encontra-se actualmente de férias na África do Sul de visita a parentes e a negócios.
Conforme respondeu a Secretaria da Inclusão, “a gestão do Estabelecimento Bela Vista está acometida à Associação Atalaia Living Care (AALC) desde 1/7/2023, sendo esta a entidade responsável pelo seu funcionamento desde aquela data”.
“Nos termos do Acordo de Cooperação outorgado entre o Instituto de Segurança Social da Madeira (ISSM) e a Associação Atalaia Living Care (AALC), a responsabilidade pela aquisição e manutenção dos equipamentos que garanta a qualidade dos serviços prestados cabe em exclusivo àquela associação”, sublinha o Governo Regional.
“Compete, contudo, ao ISSM [Instituto de Segurança Social da Madeira] assegurar que o Acordo é cumprido, notificando a instituição para repor a regularidade dos serviços prestados à população residente naquela Estrutura Residencial para Pessoas Idosas”, reconhece o GR.
“Foi isso feito, por forma a garantir o bem-estar dos residentes”, asseguram-nos.