Memórias: nem o bordado Madeira escapou…

Ninguém no Mundo recebe melhor que os Madeirenses. Desde há muito tempo tivemos essa fama. Hoje não é bem assim… não tanto como no passado.
Workshops, eventos desportivos e culturais, inaugurações… tudo tinha nota máxima, 20 valores.
Em 1981 participei na cobertura da promoção da Madeira nos países escandinavos, nomeadamente Finlândia e Suécia.
O grupo Folclórico da Camacha esteve em 1981 na Rússia e em Outubro desse ano foi o cartão de visita da RAM em Helsínquia e Estocolmo. O então presidente Alberto João Jardim chefiou a embaixada.
Da Madeira seguiram flores, peixe espada preto, bolo de mel, frutas regionais, vinho Madeira e broas. O chefe da escola hoteleira madeirense mandou confeccionar. O grupo da Camacha animou, e os operadores turísticos disseram “presente”. Receberam flores e propaganda do destino Madeira.
O sucesso foi de tal ordem que o repasto esgotou e os madeirenses presentes ficaram a ver navios, no direito a comer, uma vez que a filosofia era, primeiro os convidados.
Quanto aos bordados Madeira expostos nas paredes do salão do evento, agradaram tanto que… desapareceram. Só deram por falta deles quando se procedeu à desmontagem. Foi necessário pedir novas toalhas porque o evento na Suécia era dentro de dias.
Noutros tempos a arte de bem receber era levada ao extremo.Alguém se recorda da entrega dos troféus do campeonato da Europa de Rallys no molhe da Pontinha seguido de almoço bem regado e requintado?
Ou da regata Canárias-Madeira, na recepção na Quinta Magnólia, em que o Lido Sol apresentava um menu de cinco estrelas! Ou das inaugurações de estradas, piscinas, túneis, escolas, edifícios municipais, que terminavam sempre em festa. Destaca-se entre estas ocasiões a inauguração do aeroporto. Era uma Madeira sempre em festa.
Ao princípio, estas festanças eram pagas sempre pelo dono da obra – o governo. Mais tarde Alberto João Jardim exigiu que fossem os construtores e empreiteiros. Quando se tratava de pequenas obras como estradas agrícolas e municipais,.a festa era menor, cingindo-se geralmente a espetada e carne de vinho e alhos. O primeiro era sempre Jardim. Eles sabiam a preferência do presidente: uma sandes de carne de vinho e alhos e uma cerveja.
Recordo a inauguração da frente mar do Caniçal. No calhau, uma grande mesa cheia de iguarias. No final do discurso o “pecado” do Alberto João foi  dizer: “Estão todos convidados! Sirvam-se”.
Houve um autêntico” arrastão” e em cinco minutos as mesas ficaram despidas. Nem um croquete escapou. Os restantes convidados foram convidados a tomar um copo no bar Amarelo…
Por outro lado, os nossos vizinhos canários eram uns forretas. Estive em Lanzarote na apresentação da regata Arrecife -Funchal, no Real Clube Náutico de Lanzarote. No final os presentes foram convidados a tomar uma cerveja de pressão em copo de plástico, sem direito a tremoços nem amendoim. Nem oito nem oitenta e oito…

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