Hoje em dia, pode ainda encontrar a “arca de três chaves” usada pelos frades. Esta arca só podia ser aberta na presença do capelão, do presidente da confraria e do tesoureiro. A peça mais interessante é o altar-mor, reconstruído por volta de 1615/1616, especialmente a placa central que representa o Santo Padroeiro a proteger uma caravela Portuguesa dos séculos XV ou XVI. A capela-mor encontra-se coberta com pinturas, no tecto e nas paredes, provavelmente executadas por um artista regional, que representam os passos mais importantes da vida do Santo e os seus milagres.

Na continuação da nossa visita à Zona Velha, além da Fortaleza de São Tiago, constata-se que a capela é um monumento a conservar e que apresenta já alguns sinais de degradação. O historial atrás descrito justifica a grandeza deste património que deveria estar diariamente aberto ao publico. Está aberto apenas três vezes por semana terças, quintas e sábados das 10 às 12 horas.

O Secretário da Cultura já a visitou. Estranhamos que o actual Bispo da Diocese nunca tenha visitado esta Capela. A mesma em 2023 registou somente um acto litúrgico, a Missa do Parto. Quando a procissão do voto saía desta capela, muitos governantes tomavam conhecimento pela primeira vez do seu interesse patrimonial. Hoje a procissão sai da Sé para o Socorro.

Visitámos a capela e assinalamos e alertamos para as maleitas encontradas. O portão de ferro apresenta sinais de ferrugem e já não vê tinta há muito tempo, exposto ao sol e à chuva até que apodreça.
A pintura da capela exterior degrada-se e as paredes aguardam uma nova cara lavada. O telhado necessita de uma revisão, uma vez que a chuva pode ser uma causa da humidade no interior do templo e as pinturas correm o risco de serem destruídas. Monumentos fechados facilmente apodrecem.

A porta da Capela hoje para ser recuperada, será difícil. Isto se tiver recuperação. Encontrar trabalhadores para efectuar uma cópia do original, não deve ser fácil, não existem muitos. Tudo isto custa milhares de euros.
A capela de São Paulo que está a ser restaurada em 2019 inserida no plano de investimentos e despesas e desenvolvimento RAM -PIDDAR que Paula Cabaço esperava realizar tinha 330.774.00 euros. Hoje as obras tem um orçamento de 600.000 e de certeza que irão parar dentro de dois ou três meses. Haverá derrapagem e um milhão talvez não seja suficiente.




Esta comparação talvez seja um exercício contabilístico para que os responsáveis não esperem muito tempo a entrar em acção e a Capela do Corpo Santo possa estender a mão à esmola do Governo.
É graças à acção de um voluntário, autêntico servo da casa de Deus, que a capela do corpo santo está aberta três vezes por semana.
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