Sete bispos sepultados na Sé: o oitavo vai a caminho

 

 

Rui Marote

A 7 de Março  deste ano o FN, na sua secção sarcástica “Estepilha”  revelava a abertura de um jazigo na Sé do Funchal para futuro sepultamento do Bispo Emérito. E dizia: “O que o Estepilha não sabe é qual, pois a Diocese tem dois Bispos Eméritos”.

Diz a Bíblia que por causa do pecado todos morremos! A qualidade do enterro é outra coisa. A tradição   dos sepultamentos dentro das Igrejas foi proibida por Carta Régia há mais de 220 anos.
A ideia piedosa era a de que aumentavam as boas hipóteses do falecido no “acerto de contas post mortem”. As irmandades religiosas eram as responsáveis por enterramentos dentro dos templos.
Foi D. Pedro em plena guerra civil (1833) que proibiu os enterros nas igrejas, nos adros e nos claustros, pela cólera que grassava na capital. A lei de 21 de Setembro de 1835 explicitada no decreto de 8 de Outubro proibirá definitivamente a inumação  de cadáveres nas igrejas e ordenará a construção de cemitérios públicos fora dos limites das aglomerações.
Há 144 anos que a Sé madeirense deixou de ser sepulcro. No seu interior tem sete Bispos: D. Frei Gabriel de Almeida. Faleceu em 12 de Julho de 1674. Sepultado na capela-mor.
D. Frei António Teles da Silva. Faleceu em 14 de Fevereiro de 1682. Sepultado na capela-mor.
D. João do Nascimento. Morreu em 5 de Novembro de 1753. Sepultado na capela-mor.
D. Gaspar Afonso da Costa Brandão. Morreu em 14 de Janeiro de 1784. Sepultado na capela-mor.
D. Luís Rodrigues de Vilares. Faleceu em 10 de Outubro de 1810. Sepultado na capela-mor.
D. Aires de Ornelas e Vasconcelos. Faleceu em Lisboa no dia 28 de Novembro de 1880. Os seus restos mortais foram trasladados para a capela de Santo António, da catedral do Funchal, para sepultura da sua família.
Em 1903, vieram para a Sé os restos mortais do bispo D. Luís Figueiredo de Lemos, falecido em 26 de Novembro de 1608, que estavam na Capela de São Luís de Tolosa, do antigo Paço Episcopal, cuja porta de entrada situa-se na escadaria de acesso da Rua do Bispo à Praça do Município.
O seu túmulo, coberto por uma lápide de mármore, está na entrada da Sé, junto ao guarda vento. Em 1837 nasceu o primeiro cemitério na Quinta de Nossa Senhora das Angústias com o nome Cemitério das Angústias em cumprimento ao estipulado por decreto de 21 de Setembro 1835, que obrigou as Câmaras  a possuíram cemitérios públicos. Existiu neste local durante mais de um século, sendo depois transferido para S. Martinho em 1939 e 1944.
A 2 de Abril de 2024, o Papa Francisco confirmou já ter dado instruções para ser enterrado na basílica de Santa Maria Maior, ao contrário dos seus antecessores, que o foram todos na basílica de São Pedro, sublinhando que gostaria de ser sepultado “numa sala onde são guardados os candelabros”.
Enfim, pequenas diferenças.

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