Rui Marote
A Câmara do Funchal e Governo Regional são “cegos” a uma realidade que merece ser referida também no dia de comemorações no porto do Funchal. Há o positivo e o negativo em qualquer questão.
Quando o Porto do Funchal recebe num só dia cerca de 9000 passageiros, a Avenida do Mar vive um autêntico “arrastão”, com os autocarros de turismo estacionados nas paragens dos autocarros normais, aguardando a recolha de passageiros das visitas à Sé Catedral e à baixa citadina.
As duas faixas da marginal “Sá Carneiro” faz-nos lembrar os “arrastões” de multidões, neste caso dos carros de turismo “Horários do Funchal,” SAM, Machico e Rodoeste e agora o Siga, formando um autêntico tampão paralisando aquela artéria conforme as fotos documentam.
O Funchal não está preparado para que os os autocarros venham à rua todos ao mesmo tempo. Já lá foi o tempo que os cruzeiristas saíam dos navios, percorriam a cidade a pé, visitavam as casa de bordados, saboreavam o peixe espada preto e regressavam a bordo em cima da hora, com os apitos anunciar a saída.
Hoje trazem de bordo uma peça de fruta (banana ou um tomate ou o que seja) e regressam a bordo para almoçar pois está tudo pago.
Os shuttles descarregam e carregam fazendo “pit stop” na Avenida Arriaga em frente à Loja do Cidadão.
O Funchal enferma desde há muito da falta de uma central rodoviária. Nos anos oitenta e noventa do século passado esse assunto foi uma prioridade. Dizia-se então que eram os parques de estacionamento que iriam resolver o estacionamento da cidade.
Nasceram esses novos pólos, um a Este, outro a Oeste, O edifício Calouste Gulbenkian e o do Almirante Reis só anos mais tarde apareceram, bem como novos parques em estruturas de supermercados e em novos edifícios.
Na altura que se construíram as instalações da Horários do Funchal falámos com o coronel Morna na necessidade de uma central rodoviária. Sugerimos mesmo uma visita a Braga, que tinha inaugurado nesse ano um terminal de autocarros.
Sabemos que Morna a visitou e veio entusiasmado. Sugeriu ao governo regional, mas este chumbou, uma vez que os objectivos nessa época era criar estacionamentos para viaturas particulares. Foi quando nasceu o parque do Almirante Reis – que era o ideal para a uma rodoviária…
Conclusão: as viaturas dos “Horários” até aos dias de hoje estacionam em frente a empresa de electricidade ou nas paragens da avenida do Mar.
Por outro lado nasceram duas terminais de autocarros a SAM e Rodoeste, que cruzam a cidade em sentidos contrários. É caso para dizer o “sargento baralhou”, como dizia o nosso Max…
Hoje não existe no Funchal nenhum espaço para nascer uma rodoviária. Ainda há quem se recorde da “ideia” brilhante de cérebros iluminados em fechar as ribeiras do Funchal e criar parques de estacionamento… Felizmente houve bom senso e a ideia não avançou.
Como resolver: melhor atenuar essas anomalias em dias de “overbooking” no porto.
A Câmara tem de reunir com a administração dos portos. Existe o estacionamento do Cais 8 (desactivado) ficando exclusivamento para os carros de turismo descarrega e carrega em parque fechado. Fica a 250 metros do Mercado dos Lavradores e casas de bordado, a 200 metros do teleférico e zona velha e a 200 metros da Sé Catedral.
Sabemos que está a funcionar: uns aderiram outros continuam a estacionar nas paragens dos autocarros em especial em frente ao Palácio de São Lourenço.
Os nossos vizinhos canários na cidade de Las Palmas tem duas rodoviárias subterrâneas e funcionam lindamente.
Lamentamos aquelas ideias megalomaníacas de criar um parque de estacionamento na Praça do Município quando temos ouras prioridades… só é cego quem não quer ver…
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