PSD e GR lançam mão de “ronda negocial” persuasiva

O debate do programa de Governo hoje pode resumir-se por momentos tremendamente maçadores e pela teimosia de ambas as partes: da parte do PSD, a recusa sistemática de Miguel Albuquerque demitir-se e fazer avançar outra personagem para o seu lugar, alguém sobre quem não pese o “fantasma” de uma indiciação por alegada prática de crimes, alguém que não se situe na desconfortável posição de “arguido”.

Da parte da oposição, a consideração insistente, de um modo mais ou menos claro, de que não há condições para viabilizar este programa de governo e posteriormente, o orçamento, por não haver confiança neste executivo.

O PS e JPP, pelo seu lado, já deixaram bem claro que vão votar contra porque é impossível confiar “num governo que mente”, para usar as palavras do deputado socialista Rui Caetano. O Chega também afirma que vai votar contra.

Mas entretanto o PSD lançou mão de outro instrumento, uma ronda negocial à margem dos trabalhos parlamentares, para tentar convencer outros partidos da bondade da suas propostas, sempre em nome da “estabilidade”.

Com isto o PSD e o GR, que têm afirmado que incluem no seu programa dezenas, para não dizer centenas, de propostas subscritas pela oposição, pretendem dar um sinal de disponibilidade para negociação e flexibilidade. O que não deixa de ser curioso é que tais discussões ocorram à margem dos trabalhos parlamentares: afinal de contas, não é a “casa da democracia” é o local privilegiado para tratar tais assuntos.

Esta negociação faz lembrar as manobras palacianas em que um império periclitante negoceia com as grandes “casas” de um sistema feudal, emergindo, por vezes, repentinamente, uma aliança inesperada.


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