FUNCHAL NOTÍCIAS-Considera-se uma pessoa de esquerda ou de direita?
LINA PEREIRA: Sou uma pessoa de causas, acérrima defensora da Democracia e do Estado Social mas consciente de que a dicotomia esquerda/direita não se coaduna com a nossa realidade atual. E esse é, aliás, o próprio posicionamento do JPP. Não podemos, de forma nenhuma, reduzir o espectro político a estas duas ideologias (mesmo que se considere o “centro”) quando vivemos num mundo de superdiversidade onde temos de considerar, invariavelmente, a “complexidade das complexidades”: considero aqui dimensões políticas, sociais, económicas, ambientais, religiosas, relacionais etc. Mas estas dimensões não podem ser analisadas e consideradas de forma isolada e aí tem residido o problema.
Consigo lhe dizer, com toda a certeza, aquilo que não sou: de extremismos/radicalismos. Discursos populistas, baseados na desinformação e na mentira não podem prevalecer, “disseminando-se” enquanto verdades incontestáveis. Mas para que isso não aconteça, é fundamental, lá está, que os Governos trabalhem em prol dos verdadeiros interesses da população, com a responsabilidade e conscientes da visão de futuro (sustentabilidade) e isto obriga a um reposicionamento dos próprios partidos naquilo que é a defesa de “ideologias” que não podem prevalecer a Direitos Constitucionais Consagrados e, os próprios Direitos Humanos.
FN-Há formas diferentes de fazer política sendo mulher/homem?
LP: Quando nos mobilizamos por Causas e na defesa intransigente dos Direitos, essa dicotomia (novamente) não se coloca. As diferenças residirão, essencialmente, naquilo que são as características individuais de cada sujeito, seja homem ou mulher e na própria metodologia de trabalho. É certo que, durante anos, a política sempre foi um contexto essencialmente masculino mas esta é uma realidade que tem vindo a mudar, da mesma forma que tem vindo a mudar (e ainda bem!) o papel do homem no contexto familiar, tornando-se mais presente e partilhando tarefas que, tradicionalmente, eram consideradas exclusivamente das mulheres.
Na minha opinião (e sei que posso ser polémica), atualmente, assiste-se a uma reconfiguração de papéis, quer dos homens quer das mulheres, nas diferentes dimensões de Vida, incluindo a política, que, permite o esbatimento de diferenças do passado e a aceitação cada vez maior das mulheres em “lugares masculinos”. Claro que este percurso resulta de uma luta que se tem verificado ao longo dos tempos, ao nível da igualdade de género. Agora, importa, acima de tudo, incentivar e mobilizar mulheres e homens para a importância da participação política na defesa da nossa Liberdade e Democracia.
FN-A carreira académica está em “stand by”? É desafiante?
LP: Neste momento, e após algumas paragens, finalmente entreguei a tese de doutoramento, aguardando a data para a defesa, portanto, podemos considerar que esta é uma fase praticamente concluída. Sem dúvida que o “bichinho” da academia e da investigação está sempre presente (se assim não fosse não teria enveredado pelo doutoramento) e embora de forma não tão ativa, este é um percurso que quero continuar a fazer.
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