Internas PSD-Madeira: “breve olhar” de um simples mas convicto militante de base

Sou militante do Partido Social Democrata (PSD) há mais de três décadas, mais especificamente desde Setembro de 1991. Sou Social-Democrata “convicto e esclarecido” pois desde cedo compreendi que só a Social-Democracia podia contribuir e ajudar nos processos de construção de sociedades realmente mais desenvolvidas, justas, humanas, livres e progressistas. Desde os meus tenros 18 anos que voto PSD, e nunca deixei de fazê-lo por gostar mais ou menos de quem lidera o Partido…Afinal não os há perfeitos! A minha acérrima e devota militância no PSD assenta na ideologia que o partido defende, tantas vezes propalada mas também, infelizmente, maltratada e relegada para segundo ou terceiros planos. Claro que possuo e advogo um determinado perfil de liderança, como é óbvio, sei bem qual é o meu preferido, mas um líder uma vez eleito democraticamente será sempre o meu líder. É assim que concebo o funcionamento das instituições democráticas, partidárias ou não (e bem podia aqui fazer analogias com o desporto rei!..)

O PSD-Madeira, cuja filiação pessoal no mesmo remonta a 2004, vive um inequívoco e indisfarçado momento de especial sensibilidade e inquietação. E para se ter a mínima noção disso mesmo basta estar razoavelmente atento à comunicação social regional, especialmente à de natureza escrita. Independentemente das razões de natureza política ou outras que possam ter mais recentemente contribuído para alguma inconstância e incerteza no seio do partido, parece razoável afirmar que o aparecimento de uma segunda lista concorrente às eleições internas, agendadas para o próximo dia 21 de Março, lista esta encabeçada pelo Dr. Manuel António Correia, veio agitar, ainda mais, as hostes social-democratas madeirenses.

É inequívoco que a pluralidade de opiniões no seio dos partidos se constitui como algo fundamental ao seu crescimento material e qualitativo; a antítese disso relega-os, aos partidos, para estados de rigidez, cristalização, estagnação, perda de protagonismo na esfera pública, empobrecimento ou mesmo risco de desaparecimento. Mas essa dita pluralidade deve sempre acontecer num quadro de autêntico e verdadeiro respeito por todos, sendo que no registo antagónico não se consegue sair das encruzilhadas e muito menos encontrar soluções para fazer mais e melhor, interna e externamente.

O PSD-Madeira como histórica e evidente Força Política Regional, cuja trajectória de trabalho, empenho efectivo em prol da sua população é impar e inquestionável (muita obra encontra-se feita e à vista dos mais incrédulos), jamais deverá perder e/ou olvidar, quer interna quer externamente, a chancela da tolerância, da capacidade para o diálogo, da sua propensão para o debate construtivo e esclarecedor, pois só assim será capaz de continuar a edificar o BEM SER e FAZER, dentro e fora do contexto partidário que é o nosso. O que lamentavelmente nem sempre acontece!

Mais recentemente, a par da normal competitividade entre apoiantes das duas únicas listas concorrentes à liderança do Partido, aspecto que se saúda e enaltece, tenho vindo a observar condutas levadas a cabo por parte de alguns militantes nada condizentes com o espírito político que preside à social-democracia, circunstância que muito nos deve entristecer e fazer meditar. E é precisamente esta realidade, que nada tem a ver com valores e princípios preconizados e defendidos por um dos seus Fundadores e primeiro líder, FRANCISCO SÁ CARNEIRO, muitas vezes evocado, mas outras tantas esquecido, que me impele, leva a tecer algumas apreciações enquanto simples militante de base do partido, cujo olhar sobre os fenómenos sociais e políticos, se encontra, porventura, mais perto da visão da sociedade civil, do cidadão comum sem filiação partidária. Neste sentido e nesta linha de pensamento, diria sobre a actual conjuntura o seguinte:

Primeiro, é “especial hora” de todos deverem honrar o ADN político da social-democracia, sendo para isso essencial o respeito integral pelos princípios da liberdade, da pluralidade e da tolerância;

Segundo, é “especial hora” de todos os militantes verem defendido, de forma clara e inflexível, o seu direito à reserva e privacidade (podemos elogiar, enaltecer a atitude de todos aqueles que tomam a decisão de apoiar este ou aquele candidato, evidentemente, mas devemos respeitar também todos os outros que não o fazem, por mera opção, necessidade de recato ou personalidade. Na verdade, não é por essa via (manifestação pública de intenção de voto) que se deve avaliar, aferir se um militante é mais ou menos corajoso, é mais ou menos social-democrata, é mais ou menos fiel às suas convicções e ao seu partido…Ou é meramente retórica a circunstância de se dizer que o voto é secreto?).

Terceiro, é “especial hora” de o PSD-Madeira reafirmar a sua identidade e reassumir-se como “partido bússola”, condição “sine qua non” para o crescimento e desenvolvimento da Região Autónoma da Madeira, não só pela sua génese, história, mas também, e muito, pelos excelentes quadros que possui (políticos e técnicos) – julgo que nesta matéria damos cartas aos demais!…

Quarto, é “especial hora” para que a sensatez, a moderação e o civismo pautem a organização, funcionamento e dinâmica do próximo ato eleitoral (internas de dia 21 de Março).

Quinto, é “especial hora” para uma maior consciencialização, da parte de todos os militantes, quanto ao facto de os nossos reais adversários políticos se encontrarem fora do Partido e não dentro do mesmo …Sabemos claramente quem são; afinal de contas o diagnóstico está mais do que feito e concluído, sendo as novas realidades sociopolíticas (a nível nacional e regional) capazes de o demostrar e atestar!

Sexto, é “especial hora”, independentemente do resultado que venha a acontecer na eleições internas que se aproximam, de darmos as mãos, estabelecer pontes e funcionar numa lógica de verdadeira união, de entendimento profícuo, de cooperação sem reservas, para bem de todos, mas acima de tudo em prol da Região que tanto amamos. As fracturas e as divisões internas pós ato eleitoral enfraquecem-nos e enfraquecem quem de NÓS mais precisa, os CIDADÃOS. Estejamos juntos pois o FUTURO é já HOJE.

Termino consciente de que a visão aduzida é bastante romântica, mas é a minha, e é nela em que acredito genuinamente.

A Política sem risco é uma chatice, mas sem ética é uma vergonha.

(Francisco Sá Carneiro).


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