BE diz que “as casas são para viver, não são um negócio”

O Bloco de Esquerda abordou hoje, pela voz da candidata Dina Letra, o problema da habitação, referindo que “para termos casas que os jovens possam comprar ou arrendar é preciso que os preços das casas e das rendas baixem”. Por isso, defende o fim dos vistos Gold e a proibição da venda de casas aos residentes não habituais, ao mesmo tempo que se deve limitar a propagação do Alojamento Local, “que tem feito dezenas famílias deixar as suas casas porque a ganância dos senhorios fez cessar os contratos de arrendamento”.

Para o BE, a habitação é o problema que mais aflige os portugueses e particularmente os madeirenses que viram os preços das casas e das rendas subir mais de 40% em um ano. O Funchal é já a terceira cidade mais cara do país, e o preço do metro quadrado atinge os 3.200. “Quem cá vive e trabalha não consegue arranjar uma casa que possa pagar ou arrendar”, refere-se.

Os bloquistas dizem que na RAM há mais de 6.000 famílias à espera de uma habitação, a que se juntam as muitas que estão em risco de perder as suas casas para o mercado.

“A habitação é, por isso, uma prioridade para o Bloco de Esquerda e resolvê-lo deverá ser também a prioridade do próximo governo do país”, sentencia.

“Sabemos que os baixos salários e os preços da habitação estão a impedir os jovens de sairem de casa dos pais e a prosseguirem o seu futuro, encontrando na emigração a única solução, ao mesmo tempo que empobrece as gerações seguintes, que viram as prestações do crédito e as rendas subirem de forma drástica”, refere o comunicado do BE.

“Por isso, ao contrário dos partidos de direita que pretendem apenas deixar o mercado a funcionar livremente, subsidiar os bancos e os fundos imobiliários que especulam e lucram milhões com os preços das casas, o Bloco quer intervir na raiz do problema e fazer baixar os preços das casas e fazê-lo já”.

“No caso do crédito habitação, propomos a intervenção da CGD, banco público que detém uma larga maioria dos créditos habitação e que poderá usar os milhões que obteve com a subida das taxas de juro precisamente para reduzir as taxas aos seus clientes e assim regular o mercado do crédito”, considera o BE.

No caso das rendas, “é imperativo fixar tectos máximos, para que as famílias não sejam expulsas das suas casas pela ganância do mercado”.

Mas é preciso também soluções para o problema da especulação imobiliária que surgiu fruto da abertura aos milionários dos visto gold e dos residentes não habituais, que fez direccionar a construção para o segmento de luxo. A Madeira é exemplo disso mesmo: temos muita construção, mas essas casas não são para o bolso dos madeirenses, aponta o BE.

“As casas são para viver e não são um negócio”, conclui o BE.


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