O presidente do PS-M, Paulo Cafôfo voltou, hoje, a defender a realização de eleições legislativas antecipadas na RAM, considerando-as imperativas.
Cafôfo foi recebido em audiência pelo Representante da República para a Madeira, no âmbito da auscultação que está a efectuar aos partidos na sequência da demissão do Governo Regional, devido a suspeitas de corrupção. Na ocasião, declarou que é “absolutamente necessário, e imperativo mesmo, que haja eleições antecipadas” nos respectivos prazos constitucionais e que, na sequência das mesmas, exista um novo Executivo.
O dirigente do PS-M frisou que esta é a vontade da maioria dos madeirenses, da maioria dos partidos, à esquerda e à direita, e até de elementos do próprio PSD, como é o caso do ex-presidente do partido e antigo presidente do Governo, Alberto João Jardim.
Cafôfo apontou que a maioria que existe neste quadro parlamentar “tem sido um foco de instabilidade e não garante qualquer confiança nem qualquer estabilidade no futuro”, vincando que, na sequência desta megaoperação, em que Miguel Albuquerque e Pedro Calado são indiciados por crimes de corrupção, temos assistido a uma “desorientação” por parte destes partidos.
Mais disse que a única forma de garantir estabilidade e devolver a confiança às pessoas é dar a palavra ao povo: “Não podemos ter medo de eleições antecipadas”, sentenciou.
Esta é a melhor forma de pôr a democracia a funcionar. “O PS está preparado e não tem medo do veredicto popular. Queremos, de uma forma legítima, que a palavra seja devolvida ao povo e queremos ir a jogo, num jogo democrático, porque não estamos agarrados ao poder, como está o PPD/PSD. Aquilo que desejamos é apresentarmo-nos a eleições, disputarmo-las com o PPD/PSD e deixarmos nas mãos dos madeirenses o seu futuro”, porque o mesmo “não pode ser decidido por meia dúzia dentro do PPD/PSD”.
Para o PS-M, não é admissível a Região ter um Governo nomeado, tendo em conta que, na eventualidade de haver dissolução da Assembleia Legislativa, o Executivo teria apenas cerca de um mês e meio e cairia, não havendo sequer tempo para aprovar um orçamento.
“Não podemos estar a criar um problema sobre outros problemas. A forma mais clara de resolver isto é termos eleições antecipadas”, considerou.
Denunciou ainda a chantagem e o alarme social que estão a ser lançados pelos partidos que estão no poder, para benefício próprio e para continuar a promiscuidade e os favorecimentos a que temos vindo a assistir, como mostra o megaprocesso em curso.
“A Madeira não vai parar. As pessoas continuarão a ter os seus salários, os pensionistas continuarão a receber as suas reformas, continuaremos a ter investimentos, os contratos que estão feitos serão assegurados, o Plano de Recuperação e Resiliência vai continuar a ser executado e os fundos comunitários vão continuar a ser aplicados. Ninguém, seja do sector privado, seja da administração pública regional, sairá prejudicado”, garantiu.
O PSD é o único responsável por não ter sido aprovado o orçamento antes da demissão da efectivação da demissão de Miguel Albuquerque, como desejaria o Representante da República, afiançou.
Cafôfo acusou o PSD de provocar o medo e o pânico, pois está agarrado ao poder por duas razões: Para manter os interesses e a promiscuidade que tem havido entre o Governo, o partido e alguns interesses privados e porque “tem medo que se saibam ainda mais podres”.
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