Vivemos, definitivamente, no tempo da malvada cultura dos números. O que conta, são os números, mesmo que sejam falsos. Reparem que até o aeroporto da Portela, aguentou, bem os milhares e milhares de passageiros que chegaram e partiram, no âmbito da Jornada Mundial da Juventude (será então necessário um novo aeroporto no centro do país, só para “os mesmos “engolirem milhões e milhões de euros (lá está a cultura dos números) ou chegaria a aposta numa melhor organização das reais capacidades da infraestrutura aeroportuária?!
Por cá, na RAM, numerosos eventos atropelam-se, normalmente, uns aos outros. Mas a piada é do piorio, quando vêm alguns promotores apregoar aos quatro ventos, que foram vendidas toneladas e ou litros do produto “x”. E logo a seguir, vêm os comerciantes desse mesmo produto “x”, lamentar que foi um dos anos mais fracos, com menos afluência de público e menos receitas, logo menos toneladas e ou litros vendidos – dos tão apregoados.
Sim, eu sei que os números também falam. Mas, infelizmente, também mentem. É frequente assistir ao balanço de alguns eventos que não sejam sempre assumidos como um grande sucesso. Até nos fins de semana, onde a sobreposição dos eventos é caótica, o sucesso, segundo os seus promotores é total, com casas cheias, ao rubro. Quando os registos fotográficos da afluência de público, ou a real capacidade dos espaços em questão, desmente categoricamente os números apresentados. Mas isto é mesmo uma prática repetitiva. Estejamos atentos, para conferir.
Chega de brincar ao “quer”, ao “pretende” ou ao “prevê”. Temos de agir baseados na verdade e não, na má arte de lançar números, ao acaso, num triste festim de “show off”.
Por falar em comportamentos ostensivos, atenção que até 22 de setembro (pois a 23 é para reflexão sobre em que número, entre 1 e 13, valerá apena fazer a cruz), está aberta a época de caça ao voto, com muito exibicionismo à mistura, para engodo dos mais distraídos. Olho neles!
Os bons números podem nos lançar numa viagem de sucesso, mas importa sabermos onde estamos antes de partir e para onde vamos, sem descartar injustamente o(s) outro(s).
O que a numerologia nos dá é simplesmente uma outra maneira de vermos e entendermos um todo, que por vezes, é mascarado. “Raios partam” os que mascaram a verdade a partir do exagero dos números. Não vale tudo! Fico, estupidamente, confuso com o anúncio de terminados números que não correspondem à verdade. Olho neles!
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