A ilusão da mobilidade subsidiada e as falhas da Ryanair

 

Já viajei várias vezes na Ryanair. Assim foi com alegria que vi a companhia começar a voar para a ilha da Madeira. No verão passado, ao comprar uma viagem para mim e para a minha família nem sabia no calvário que me ia meter. Habituado que estou às tecnologias e à facilidade na compra e pesquisa de viagens comecei, em Junho passado a procurar viagens entre Funchal e Porto. Opto pelos preços mais baixos pois o investimento para viajar infelizmente é avultado em épocas altas e procuro perante um eventual imprevisto de viajar ter o menor prejuízo possível. Paguei por 3 viagens de ida e volta 582.99€ com uma pequena bagagem, a mesma que nos acompanha, a mim e família, em viagens. O preço foi bom, pois a outra companhia mais barata a mesma viagem custaria cerca de 800€. A viagem correu bem para o Porto e regresso já no início de Setembro também.

O calvário começa depois. Tenho cerca de 300€ de reembolso do subsídio social de mobilidade. Solicitei um documento no balcão Groundlink, que presta serviço à Ryanair no aeroporto da Madeira, peguei nos documentos todos e esperei cerca de 45 minutos nos CTT. Até que no balcão me indicaram que aquele recibo não tinha número de fatura sem o qual não receberia o reembolso ao qual tenho direito legal. A partir daí a história resume-se quase em títulos simples: dezenas de telefonemas, algumas idas ao aeroporto e CTT e reclamações para Provedor de Justiça, finanças, defesa do consumidor, livro de reclamações e mais alguns organismos.

De todos recebo resposta que invariavelmente se podem traduzir num simples “insista com a Ryanair”. E a Ryanair optou por uma postura cínica que foi enviar-me sempre os mesmos recibos, sem o tal número de fatura e que não me permitem auferir do que legalmente tenho direito. O CEO da companhia esteve por aí na ilha e fez pública a afirmação de que iria resolver o problema com um link no site para pedir a fatura. Brilhantismo não lhe falta. Como se isso não tivesse já de estar acautelado. Pediu desculpa e eu fico com os bolsos mais vazios com o prejuízo que tive. O prazo de reembolso está praticamente a esgotar-se e a minha paciência também.

Continuarei a reclamar para as entidades até que nem me liguem mais. Paciência. É pena que numa sociedade de direito, o cidadão tenha todos os direitos, menos o direito a ter direitos quando outrem resolve usurpá-lo de modo tão irresponsável. De quem é a culpa? Não sei, minha não é. Mas Ryanair? Não obrigado. Vão embora.