Dias Negros para a White Airways

ATR72 da White Airwayssob a marca TAP Express (autor: José Luís Freitas)

A TAP Air Portugal decidiu descontinuar a operação dos ATR72 que a White Airways voava por sua incumbência, com término hoje. Alega a transportadora a existência de severo incumprimento em performance de voos realizados e insuficiências na manutenção da frota. Regrada que foi a dimensão da frota em Bruxelas, a TAP vai apostar nos E-jets e subcontratar a operação de dois ART72 a uma empresa estrangeira que concorreu contra outras quatro.

A320 da White Airways na Madeira (autor: José Luís Freitas)

A White Airways fica em apuros. Já antes o ditador da Guiné Equatorial tinha rescindido o contrato de operação de duas aeronaves em prol daCeiba Intercontinental, um Boeing 737-800 e um raríssimo Boeing 777-200LR. O Airbus A320 CS-TRO, “pau para toda a obra” a fazer “charters” de futebol e muito mais, também encostou sem réplica.

ATR42operado pela White Airwayspara a Portugalia(autor: José Luís Freitas)

A White Airways era a antigaYesAir Charter, adquirida à TAP pelo Grupo luso OMNI, muito conhecido pela operação de jatos privados, helicópteros e formação de pilotos. Voei na Yes pela primeira vez, num voo Viena-Lisboa operado com um A320 da TAP (CS-TNC). Era uma parceria estabelecida em 2000 com a agência Abreu e apenas teve uma aeronave própria, um magnífico Lockheed L1011 Tristar.Esse tri-reator,resgatado do deserto, outrora voou sob a égide da Delta. Obsoleto, foi desmantelado em 2005 na Portela. Em 2006 a OMNI comprou a raquíticaYes e renomeou-a como White Airways. Adicionou três A310 à frota e até fundou uma White no Brasil, a WhiteJets, operativa entre 2010 e 2013. A relação com a TAP fortaleceu-se em 2014com a outorgade um contrato de operação de dois ATR42, para a Portugalia, ainda antes da primeirareprivatização.

A310 da White Airwaysa aterrar na Madeira (autor: José Luís Freitas)

Após a entrada de Neeleman, a TAP introduz a marca “TAP Express” em 2016 e permite à White Airways expandir a operação de rotas regionais com uma frota de seis ATR72. Coincide com o “phase-out” do último A310.

A White cresceu imenso no último decénio, mas nunca conseguiu dar o passo em frente. A dependência de dois clientes a quem dedicava 100% das subfrotas consignadas, e que não podia rentabilizar de outra forma, agravada pelo “phase-out” de quase todos os recursos aéreos próprios, remeteu esta vibrante companhia a uma situação precária. Num passado pouco longínquo esteve no mesmo palco que a EuroatlanticAirways e Hifly, mas estas têm provado ser mais resilientes.