Estepilha: Quanto custa casar? Passado e presente

Festa de casamento em 1949
Rui Marote
O Estepilha está de volta com as suas historietas.
Quem não recorda o artista  da canção “Oh Tempo Volta Pra Trás”, António Mourão que encheu o Cine Parque nos anos Sessenta? Este artista estreou-se como profissional, em 1964, na casa de fados Parreirinha de Almada, e atingiu notoriedade um ano depois quando interpretou o tema “Ó tempo volta para trás”, na revista “E viva o velho”, no Teatro Maria Vitória, em Lisboa. Cantava então:
Oh tempo, volta pra trás,
Traz-me tudo o que eu perdi.
Tem pena e dá-me a vida,
A vida que eu já vivi.
Mas tudo isso pertence ao passado. Hoje o verbo está no futuro.
Vamos recordar como era a festa dos casamentos na Madeira no tempo dos “fenícios”.
Ninguém procurava então hotéis ou quintas para a festa das bodas, e a maioria dos madeirenses transformava os quintais e as fazendas decoradas como fossem arraiais de paróquia.
Recorriam ao Alma Grande para alugar mastros, bandeiras, cadeiras e mesas de ferro e iluminação.
A casa Pimenta na Fernão de Ornelas alugava a louça, copos, jarros, talheres, fogão e panelas.
Na casa do pai da noiva ou do noivo, era montado este arraial. Na ementa não faltava o caldo de galinha, o ensopado de borrego, a sangria, a cerveja e a famosa laranjada.
Por fim uma espetada, e a sobremesa era salada de frutas e pudim Flan.
Á entrada da casa geralmente havia uma mesa e um candeeiro a petróleo, e um livro, para que os convidados assinassem e deixassem uma oferta em dinheiro.
No interior existia uma corbeille, onde os convidados deixavam as suas ofertas em exposição. Para o transporte para a igreja, recorriam à abelhinha”, o táxi. No corte do bolo, uma girândola de foguetes encerrava os festejos.
Hoje casar atinge preços assombrosos. Há quem tente poupar com uma cerimónia simples, mas também não falta quem queira fazer uma grande festa, com direito a tudo. Desde os convites até ao bolo, casar pode mostrar-se um grande esforço financeiro. Principalmente se se convidar a família, incluindo primos afastados, além dos amigos e colegas.
Embora casar apenas no “civil” custe pelo menos 220 euros, o valor pode atingir 400 euros. Casar na igreja é ainda mais caro. O problema não está propriamente no acto de casar, mas no que lhe vem associado. Os convites, o copo d’água, o vestido de noiva, etc.
Só este último pode atingir uns 2500 ou 3000 euros. Já o noivo tem o privilégio de conseguir um fato bem mais barato. Inclusive alugado.

Entre cabeleireiro e maquilhagem, a factura pode também disparar. E por aí fora.

O pior será a “boda”, que se pode muito bem traduzir em mais de 12.000 euros para uma centena de convidados.

“Porque será que o passado, e o amor são tão iguais. Porque será que o amor, quando vai, não volta mais”, canta o Estepilha.