José Manuel Rodrigues no XV Congresso Insular das Misericórdias dos Açores e da Madeira

O Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira defendeu, ontem, na cidade da Horta, nos Açores, um maior apoio às Misericórdias e às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS).

As afirmações foram proferidas no encerramento do XV Congresso Insular das Misericórdias dos Açores e da Madeira.

“Sou daqueles que defendem um reforço do pilar social da economia e de mais incentivos aos agentes das IPSS e das Misericórdias, não apenas como um complemento do público, mas como um setor autónomo que pode e deve prestar serviço público em nome do Estado”, disse José Manuel Rodrigues.

Aos dirigentes destas instituições aconselhou que “nunca abdiquem da vossa autonomia em troca de qualquer dependência financeira; nunca se deixem estatizar por qualquer subsídio; nunca deixem de ser a emanação das sociedades onde têm origem; nunca se esqueçam de dar esperança ao sofrimento; nunca se esqueçam da bem-aventurança da vossa criação”.

“Se é verdade que os desafios das Misericórdias foram evoluindo ao logo dos tempos, e que são cada vez mais difíceis perante os tempos conturbados que vivemos, é igualmente certo que não basta a gratidão e o reconhecimento para viabilizar os serviços que as vossas instituições prestam aos cidadãos”, vincou.

Por isso, entende que “os Estados, os Parlamentos, os Governos, as autarquias e todas as instituições públicas têm de ter uma outra política dirigida ao setor social das nossas comunidades”.

Reforçou que “só num sistema de Cooperação entre Estado, Privados e Setor Social será possível ultrapassar as dificuldades do momento, mas sobretudo enfrentar a crise anunciada”.

“A Cooperação e as parcerias são uma exigência para que os escassos recursos financeiros de que Portugal e as Regiões dispõem sejam bem aplicados e tenham o devido retorno na redução das desigualdades e na mitigação das vulnerabilidades das nossas comunidades”, aclarou o Presidente do Parlamento madeirense.

“Não tenho a menor dúvida de que um euro gerido pelas vossas instituições rende muito mais do que o mesmo valor atribuído a um organismo público.

Só preconceitos ideológicos, caducos e ultrapassados, que a História já condenou, podem ignorar esta realidade”, referiu neste encontro realizado nos Açores.

“É por isso que vos dirijo, em meu nome, e como titular da Assembleia Legislativa, representante do Povo da Madeira, um enorme Obrigado, tão grande quanto o Atlântico que nos une, pela vossa ação e pelos inestimáveis serviços prestados às populações dos nossos arquipélagos”, concluiu José Manuel Rodrigues.

XV Congresso Insular das Misericórdias dos Açores e da Madeira teve como tema a “Sustentabilidade das Misericórdias: Caminhos para o Futuro”. A “Sustentabilidade no Setor Social” e “As Misericórdias e as Políticas Sociais no Futuro” foram dois eixos estratégicos aprofundados neste encontro.

As Misericórdias trocaram experiências e aprofundaram conhecimentos para superar os novos desafios, entre eles estão as respostas a dar ao envelhecimento em Portugal, um modelo de serviço de apoio domiciliário adequado às necessidades dos idosos e às características sociais e geográficas do país, e, ainda, a qualificação dos recursos humanos das respetivas instituições.

A Madeira foi a região escolhida para a realização do XVI Congresso Insular das Misericórdias dos Açores e da Madeira, daqui a dois anos, em 2024, anunciou Manuel Vieira, do Secretariado Regional da Madeira da União das Misericórdias Portuguesas, e Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz, na ilha da Madeira.

Nesta deslocação às ilhas açorianas, o Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira encontrou-se com o Presidente da Assembleia Legislativa dos Açores, Luís Garcia, e com o Vice-Presidente do Governo Regional dos Açores, Artur Lima.

Hoje esteve com o Presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro.

Neste domingo, a par do congresso, decorreram iniciativas para celebrar os 500 anos da Santa Casa da Misericórdia da Horta, que culminaram com uma sessão solene, às 11h30, que foi antecedida de Missa Solene na Igreja de Nossa Senhora das Angústias, na ilha do Faial, pelas 10 horas.