Nuno Santos alerta no “Liceu” para a urgência de apostar na prevenção da doença cardiovascular com rastreios nos centros de saúde

Nuno Santos, médico especialista na cardiologia, pede mais investimento na prevenção. Foto FN.

Na sua dinâmica de abrir culturalmente os horizontes dos alunos, preparando-os para os desafios da vida em comunidade e para estilos de vida saudáveis, a Escola Secundária Jaime Moniz promoveu, hoje, uma palestra com Nuno Santos, subordinada ao tema “A doença cardíaca e o acidente vascular cerebral/As novas tecnologias terapêuticas”.

Uma sessão muito participada pelos jovens estudantes que ficaram sensibilizados para a realidade dos problemas que afetam o coração, bem como a importância de manter o foco nas estratégias de prevenção dos problemas cardíacos que passaram a ser mais comuns.

De diálogo fácil, Nuno Santos, médico cardiologista eletrofisiologista explicou ao FN, à margem da conferência, que “o público em geral ainda não está suficientemente informado para o problema das doenças cardiovasculares”. A deslocação à Escola Secundária Jaime Moniz, a convite dos dinamizadores dos Projetos de Saúde e do Blogue Memórias, Elisabete Cró e António Freitas, teve por objetivo uma sensibilização aos jovens para a prevenção primária, alertando-os para os diversos fatores de risco que estão normalmente na génese do AVC e de outros distúrbios associados ao coração. “Há medidas simples na nossa vida que podemos adotar e que têm um impacto tremendo na redução das doenças cardiovasculares”, frisou o especialista. O enfoque da palestra de Nuno Santos recaiu, portanto, na prevenção primária.

Com gáudio, este médico assistente graduado de cardiologia do Hospital Dr. Nélio Mendonça reconhece que têm vindo a ser adotadas pela população medidas extremamente positivas para a saúde cardiovascular, nomeadamente o aumento do exercício físico. “Felizmente, os hábitos tabágicos têm vindo a diminuir, fruto das restrições implementadas em Portugal, mas podemos ainda fazer mais”, referiu.

Os piores inimigos do coração são o tabaco, o sedentarismo, a obesidade e a alimentação não saudável (excesso de sal, gorduras polisaturadas, bebidas açucaradas e excesso de álcool). São situações que potenciam grandes riscos que obrigam a um repensar das opções de vida dos cidadãos.

Segundo Nuno Santos, “há, seguramente, uma franja muito grande da população que continua a não ter hábitos de vida saudáveis. Em números absolutos, a quantidade maior de eventos, quer de AVC, quer de ataque do miocárdio, acontece em doentes que não têm risco elevado, do ponto de vista teórico, ou seja, não são aqueles que mais risco têm de AVC. Continuamos a assistir a eventos dessa magnitude em doentes jovens, é verdade, e isso pode ser, em grande parte evitável com uma boa prevenção primária”.

Nos cuidados primários de saúde, os rastreios nas unidades de saúde são importantes para que a prevenção possa acontecer com eficácia. Cada vez mais o acesso à saúde é uma realidade. “A cobertura nos cuidados primários é muito boa e os nossos centros de saúde estão apetrechados, em recursos técnicos e humanos, para fazer esse rastreio. Há, contudo, muita gente que continua a não recorrer aos cuidados primários de saúde de uma forma preventiva”, alertou o cardiologista.

Tantas vezes o recurso do utente a medicinas ou terapias alternativas gera controvérsia. Confrontado com a questão, o especialista considera ser difícil abordar o assunto. “Há alguns produtos ditos naturais que estão em voga para algumas áreas, mas que muitas vezes têm na sua composição a fonte de alguns medicamentos produzidos hoje em dia. Muitos dos medicamentos  que nós temos são derivados de produtos naturais, de plantas, de animais… a vantagem que os medicamentos têm em relação aos produtos ditos alternativos é a literatura com os estudos que os suportam e as  dosagens que estão definidas também na literatura”. De resto, o especialista, considera: “Admito que haja potencialmente bons  resultados com algumas coisas, mas sinceramente não posso falar. Garantidamente, desconheço os estudos claros que os suportam”.