Albuquerque: “nós estamos é aqui para decidir e para governar”

O líder do Executivo madeirense, Miguel Albuquerque, considerou hoje, em discurso proferido na sessão solene municipal, que sob a liderança de Pedro Calado, “o Funchal, em boa hora, voltou a nascer para um período promissor de esperança e desenvolvimento”. Trata-se de “um novo tempo de relançamento do investimento público e privado na cidade”, de “limpeza e reorganização ambiental”, e bem assim de apoio social aos mais carenciados. A “propaganda bacoca e anúncios nos jornais” foi, assim, substituída, na sua perspectiva, pela resolução efectiva dos problemas. Farpas atiradas à gestão anterior, de Miguel Gouveia.

“No Funchal acabou o tempo dos amadores e dos diletantes”, declarou. Reiterou, pois, a Pedro Calado todo o apoio do GR em prol da cidade.

Albuquerque iniciou o seu discurso elogiando o trabalho dos funcionários da CMF, cuja capacidade, referiu, conhece bem desde os tempos em que presidiu à autarquia.

Prosseguiu para constatar a necessidade de criação de “um novo corredor de mobilidade interna” que sirva a distribuição do tráfego, pois o mesmo, adiantou, está a tornar-se mais congestionado e a chamada via rápida está a perder o seu carácter inicial de ligação inter-concelhia, acolhendo muita circulação de automóveis entre diversos pontos da urbe.

Por isso, o GR e a CMF já estão a planear a apresentação de um projecto “de distribuição de tráfego interno dentro do Funchal”, apresentação essa que deverá decorrer no princípio do próximo ano.

“Será uma infraestrutura quase toda executada em túnel” com a vantagem de “poupar a paisagem e terrenos”, ligando Santa Rita ao Amparo, com ligações à Rua João Paulo II, rotunda da Quinta Magnólia, São João, Viveiros, Ribeira de João Gomes (Pestana Júnior). Uma via “essencial” para dar “melhor qualidade de vida aos munícipes”.

A obra, antecipa, será naturalmente alvo de contestação, “mas nós estamos aqui é para decidir e para governar”.

Falando do álcool e do consumo de estupefacientes, alguns deles sintéticos, admitiu não ser um problema fácil de resolver, mas que tem de ser enfrentado de forma multidisciplinar e sem amadorismos nem “caridadezinhas”.

A habitação, referiu, é outro problema essencial. Depois de centenas de milhões de euros investidos na habitação pelo GR e pelas Câmaras, está hoje “muito longe do cenário dantesco” dos anos 70. “Era o total abandono”, porque “o poder central colonial nunca apoiou a Madeira”.

Naquele tempo “as famílias viviam em palheiros, barracos, dentro de furnas, dentro de ribeiras”, sem quaisquer condições de saneamento. Isso implicou “investimentos maciços”, lembrou. E disse que a maior taxa de cobertura de habitação social do país é na Madeira.

Actualmente, e dados os indicadores positivos “do sucesso da Madeira no imobiliário”, há que criar, defendeu, uma cidade atractiva para o investimento estrangeiro, acolhendo os estrangeiros interessados em adquirir habitação, mas facilitando a criação de habitação a custos controlados ou renda acessível, para os jovens casais e famílias madeirenses.