Presidente da CMF em entrevista ao FN: “Eu não vivo obcecado com a questão da dívida, se tiver que aumentar, aumento!”

O ritmo intenso de obras na cidade é necessário e resulta da falta de investimento no passado, garante Pedro Calado. Foto André Ferreira.

 

Uma gestão de investimentos em série e de correção de erros implica também gastos. Novamente salta para a mesa a questão da dívida da autarquia. Uma das principais críticas ao presidente. Mas a resposta vem em tom categórico e firme: “Eu vou dizer uma coisa que não é politicamente correto mas eu já não tenho muita paciência para o politicamente correto. A dívida é uma falsa questão, porque estar-se a apregoar que se reduz dívida para esconder dívida, como aconteceu no passado, é enganar o povo. Portanto, não contem comigo para enganar o povo nem outras tontices. Não constituir dívida para não fazer investimento é hipotecar o futuro dos cidadãos. Por exemplo, estamos a fazer agora um grande investimento com as redes de água e de saneamento básico. Eu não posso ter o Funchal a crescer em número demográfico e em número de edifícios e habitações e depois esquecer-me de fazer investimento em termos de saneamento básico e de condutas de água. Para proteger a minha imagem, eu posso até nem fazer investimento e digo que fui um grande gestor e poupei dívida. Ora, se eu não investi, não gastei, se não gastei amortizei dívida. Contabilisticamente, fica uma apresentação fantástica e as pessoas até poderão achar que eu sou um grande gestor. Mas isso não vai resolver o problema das pessoas. O que assistimos hoje na cidade do Funchal é uma perda de água, não faturada, acima dos 60%, ou seja, de 100 de quantidade de água, 60 é para deitar ao lixo ou não é faturado. A cidade do Funchal é das cidades que mais perdas de água tem a nível nacional e isto resulta da falta de investimento que foi feito ao longo do tempo”.

Diariamente, escuta comentários de que a cidade está com um grande ritmo de obras. Pois está, diz Pedro Calado. Só favorece a cidade “Ainda bem. Eu quero fazer as obras todas agora. Eu não quero fazer as obras só em 2025 para dizer à população que me vou apresentar a eleições e que estou a fazer muitas obras. Não. As obras têm que ser feitas agora, já no início do mandato, para chegarmos a 2024-2025 com tudo no terreno e estarmos a pensar em próximos projetos para a frente. Agora, todo este volume de obras que está no terreno resulta da grande falta de investimento no passado. Eu não vivo obcecado com a questão da dívida, se tiver que aumentar, aumento, desde que se repercuta na qualidade de vida dos cidadãos, desde que eu consiga pôr as pessoas a pagar menos impostos, as empresas a terem mais apoios, a população mais carenciada, sobretudo idosa, com mais suporte, criação de habitação social para os jovens, que é um problema, mais postos de trabalho… se for preciso, aumenta-se a dívida para dar mais qualidade de vida à população”.