No Pico Ruivo, o marco geodésico está neste estado; é o “turismo jovem”

O marco geodésico do Pico Ruivo, o ponto mais alto da ilha, está “decorado” com “grafitti” como se de uma parede ou porta de garagem de um armazém, num ponto urbano central, se tratasse. Algo que desagrada inclusive a guias turísticos profissionais, que já denunciaram a situação às autoridades regionais responsáveis pelo sector, mas sem que a sua denúncia resultasse em qualquer limpeza.

Um grupo parisiense entendeu pintar com a sigla “3FP” aquele marco já em Maio de 2019 e desde então que a situação, apesar de ter sido denunciada, continua igual, tendo mesmo piorado, já que se vieram acrescentar outros “grafitti” aos primeiros. Se não é grave, pelo menos não é bonito.

A Madeira tem registado taxas de ocupação hoteleira bastante altas, e tem-se também ufanado de estar agora a atrair turismo mais jovem. Tudo isso é naturalmente positivo para uma economia que depende muito da “monocultura” do turismo, mas há senãos.

A pressão sobre determinadas áreas turísticas naturais tem sido evidente. Têm circulado nas redes sociais vídeos a mostrar determinados percursos de veredas e levadas nas nossas serras, onde a afluência de visitantes decorre num autêntico frenesim, um vai-vem mais próprio da marginal citadina do que de percursos de montanha. Zonas como o miradouro dos Balcões, a zona dos miradouros do Caniçal e da vereda do cais do Sardinha ou o Pico do Arieiro têm sido muito, muito frequentadas. Numa altura em que o governo regional equaciona a imposição de taxas a todos, inclusive madeirenses, para usufruir de determinados locais de interesse, é talvez altura para ponderar, verdadeiramente, que tipo de turismo queremos.

A hotelaria madeirense tem registado autênticas “pechinchas” na recepção de um estilo de turista que, se é mais jovem e dinâmico, por outro lado aponta-se para o facto de que gasta pouco, para além da estadia, e procura fazer render o máximo a sua estada na Região sem adquirir grandes bens nem serviços. Claro que pode haver excepções. Mas, quando se procura cativar um mercado exterior supostamente com determinados critérios de qualidade e objectivos vantajosos, convém reflectir nos aparentes “contras”. Sinais como estes marcos geodésicos grafitados podem constituir não uma consequência grave, mas um aviso.