Destruído o empedrado do adro da Capela do Espírito Santo, na “Ilha Dourada”

O FN recebeu a denúncia de uma situação que afecta o adro da Capela do Espírito Santo, no Porto Santo. Segundo trouxeram à nossa atenção, decorrem ali actualmente obras que o vieram descaracterizar.

As icónicas palmeiras do local foram cortadas. Quanto ao chão do adro, empedrado a calhau rolado cinzento e branco, também desapareceu. Quem pensava que o adro era espaço sagrado e que o antigo empedrado permaneceria como parcela do património cultural da antiga capela, enganou-se.

“Nem as pedras da “Casa de Deus” estão a salvo, mesmo quando vigiadas por Nossa Senhora de Fátima”, ironiza um porto-santense, referindo-se à escultura que foi ali colocada em 2017, para comemorar o centenário das supostas aparições.

A Capela do Espírito Santo data do século XVII, embora tivesse sido inteiramente restaurada no primeiro quartel do século XIX, pelo capitão Sebastião António Drumond. Desde então têm sido realizadas frequentes obras de beneficiação e conservação, mas o empedrado do adro havia sido sempre mantido.

Recorde-se que ainda recentemente os empedrados tradicionais forma alvo de investigação e edição, como no caso do livro de João Baptista Pereira Silva, José Luís de Gouveia Freitas e Celso de Sousa Figueiredo Gomes, ‘Calçada madeirense: Bordados em preto e branco’, apresentado no parlamento regional no passado dia 24 de Março.

A capela, como estava antes

A destruição do empedrado do adro da Capela do Espírito Santo, para as nossas fontes, é um caso lamentável e vem empobrecer o património cultural porto-santense.

Esta capela, maneirista e oitocentista, consta do Inventário do Património Arquitectónico Português, disponível no SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico.